segunda-feira, 26 de novembro de 2007

POLÍCIA CONTRA TODOS NA FAVELA É UM ERRO

Neste sábado, fui ao Jacarezinho para uma reunião com os coordenadores e monitores do projeto Mel, uma das boas iniciativas da Prefeitura do Rio de Janeiro, que, lá, mantém 500 jovens e adolescentes voltados para alguns cursos ligados ao esporte e ao lazer.
A reunião foi no bloco “Não tem Mosquito”, no centro da comunidade, bem atrás da virtualmente desativada “Casa da Paz”. Como entrei pela “prainha”, na Avenida Dom Helder Câmara, percorri os trechos mais movimentados, principalmente a feirinha, que funciona lá de domingo a domingo.
Fazia uma semana, tinha passado quase um dia no Jacarezinho por conta de um problema com a elevatória que manda água para a parte de cima do morro. Para prestar minha ajuda aos moradores, contei com a máxima boa vontade do pessoal da CEDAE, do seu presidente Wagner Victer, ao diretor Armando e ao gerente Cláudio Amós.
É que, por azar, ao ser instalada, a bomba da elevatória pifou de novo, o que obrigou os técnicos da CEDAE a trabalharem no próprio domingo para entregar a bomba de novo em condições no feriado de Zumbi dos Palmares.
Mas, dessa vez, as pessoas que me abordavam em suas ruas – há 25 anos lido com aquela comunidade e quase todo mundo me conhece - vieram fazer queixa dos excessos da polícia, em suas constantes operações, quase sempre sem o menor respeito pelos seus cidadãos.
Algumas pessoas me pararam no Largo do Cruzeiro para se queixar da invasão de suas casas. Eram trabalhadores que estavam indignados com a forma com que os policiais entravam: não havendo ninguém, usavam de chaves mixas para abrir suas portas.
Isso aconteceu na hora das crianças voltarem da escola, todas fora da comunidade, com exceção dos dois CIEPs de tempo integral construídos por Brizola bem junto à favela.
Essas queixas têm se tornando corriqueiras e parecem refletir uma política de governo tão equivocada quanto estéril: a polícia ataca indiscriminadamente na favela, com o objetivo de acuar seus moradores e levá-los a pagarem pela existência de bandidos em suas vielas.
Ao contrário do que imaginam as autoridades, esse tipo de pressão só serve para desgastar a polícia e expor seus efetivos a uma situação desconfortável. Uma polícia que não tem o menor respeito pelos direitos dos cidadãos só porque eles moram numa favela está fadada ao fracasso no combate ao crime, por mais armada que esteja. É isso que o governador precisa considerar, sob pena de criar um ambiente cada vez mais desfavorável à segurança que é devida a todos os cidadãos, sem exceção.

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