domingo, 11 de maio de 2008

A poeira que dona Dilma levantou em nome da "companheira Estela"


Ao falar no Senado (na foto com o presidente Garibaldi Alves) da tortura porque passou a jovem Dilma (ficha no detalhe), em resposta a uma indagação policialesca do senador do DEM que serviu à ditadura, a ministra impôs-se pelo relato firme e sereno do sacrifício de uma geração que expôs a própria vida numa hora em que muitos dos que falam mal hoje daqueles dias estavam de mãos dadas com os donos do poder imposto pelos tanques. Sua fala emocionada foi um marco e reacende a lembrança de um período histórico que ninguém pode esconder, muito menos justificar. (CLIQUE NA FOTO E VEJA SUA FALA)
“Esse troço de matar é uma barbaridade, mas eu acho que tem que ser."
General Ernesto Geisel

A sra. Dilma Vana Rousseff Linhares, nascida em 14 de dezembro de 1947, ministra da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, não é a mesma “companheira Estela”, que expôs a vida numa romântica luta armada que embalou os sonhos de uma geração disposta a derrubar a ditadura militar, sob influência da vitoriosa revolução cubana e das manifestações que varreram as ruas de todo o mundo em 1968.
Aos 58 anos, a filha do engenheiro búlgaro Petar Rosseav, que emigrou para o Brasil nos anos 30, é hoje uma referência do poder. Tida como a única pedra do PT para a sucessão de Lula em 2010, já se comporta como aquela que poderá ser a primeira mulher a presidir a República do Brasil.
Se ela fosse apenas uma carta para pavimentar a fórmula do terceiro mandato do sr. Luiz Inácio, ultrapassou esse papel por obra e graça do senador Agripino Maia, saído das entranhas da ditadura a que pretende renegar como o bando de maus-caracteres que se cevou naqueles idos e pendurou a conta exclusivamente nas costas dos militares.
De comum acordo com seus colegas de bancada, representantes das oligarquias e da mediocridade, o senador achou que podia pegar Dilma pelo pé ao lembrar que ela mentiu para os seus torturadores nos 21 dias que passou debaixo de porrada.
Foi aí que acabou prestando um grande serviço ao país. A resposta da ministra emocionou toda a sociedade, que tem uma dívida com todos os que sacrificaram sua juventude para enfrentar um regime de força, apoiado diretamente pela CIA e pelo sistema internacional.
E que, protegido pelo arbítrio, pela censura e pela cumplicidade, enriqueceu as oligarquias, endividou o país até a medula, entupiu as estatais de oficiais – que ganhavam também como se estivessem na ativa – e fez tudo o que o sistema internacional mandava para saciar a volúpia de poder que devorou seus aliados civis de proa, como Ademar de Barros, Carlos Lacerda e o próprio Juscelino (que apoiou a “eleição” do general Castelo).
Ser ou não ser
Ao contrário do sr. Luiz Inácio, que surgiu no bojo da “distensão” como um antídoto aos comunistas e aos trabalhistas, Dilma Rousseff participou diretamente da resistência, em todos os seus momentos. E só começou a adaptar-se à cartilha do poder quando, à frente do Ministério de Minas e Energia, deu continuidade aos leilões das áreas petrolíferas, iniciados no governo FHC como forma de abrir nossas jazidas ao capital estrangeiro.
Com o episódio do Senado, uma casa de grandes canastrões e raros legisladores, que conta no seu plantel milionário com suplentes sem voto, Dilma Rousseff entrou definitivamente na constelação shakspeareana da dúvida atroz.
Para ser presidente da República de um país que chegará aos 200 milhões de habitantes em 2011, com toda essa potencialidade econômica explosiva e uma Amazônia rica e cobiçada, a ex-guerrilheira terá de enquadrar-se numa pauta de compromissos, a menos que o senador negro Barack Obama seja eleito presidente dos Estados Unidos e mantenha o seu propósito de mudança radical, que é a essência da catarse que poderá protagonizar.
Eleita, ela poderá ser, na medida em que a oposição de direita tem a cara de bolacha do senador Agripino Maia, rabo preso e uma folha corrida vulnerável. E a oposição de esquerda está inteiramente confinada em função de uma realidade em que ideológico é o que menos conta. Além de que esse “ideológico” não tem uma formatação consistente e coerente.
É possível que, ao jogar Dilma no proscênio, Lula esteja em condições de operar nos bastidores a conclusão do projeto de “ajustes” prometido ao sistema internacional, que inclui o desmantelamento da legislação trabalhista, o enfraquecimento do Estado e das Forças Armadas, a sofisticada desnacionalização da Amazônia através da política de demarcação das terras indígenas iniciada pelo governo entreguista de Fernando Collor e o esvaziamento da Previdência Social pública.
Vasectomia política
Dilma cumprirá um papel de inocente útil no grande jogo sujo do poder. Embora seja comprovadamente uma pessoa íntegra e a corrupção seja uma das manchas maiores do governo atual, como foi também dos anteriores (só que agora não há mais boca pequena), a pré-candidata é também “um chega pra lá” nos chamados petistas históricos, alguns dos quais, como José Dirceu e Gushiken, já perderam a cerimônia e ingressaram no rendoso mundo do lobismo.
Isso tudo acontece porque as escolas da política verdadeira fecharam as portas, cedendo espaço a todo tipo de trampa e arrivismo.
E porque o período obscurantista serviu como uma grande vasectomia política, tornando estéril a vida pública decente.
Alguns dos meus leitores, pessoas inegavelmente sérias, padecem da síndrome da revanche dos tipos 1,2 e 3. Como não têm coragem cívica de admitir que os porões do DOI-CODI, Cenimar e CISA foram transformados em sádicos centros de tortura e morte, odeiam todos os sobreviventes daquele período em que, como disse um dia o general Dale Coutinho, primeiro ministro do Exército de Geisel, “o Brasil começou a melhorar quando começamos a matar”.
Esses leitores estão ainda hoje chocados com o desempenho da sra. Dilma Rousseff e a visibilidade que ganhou por apontar com todas as letras e todos os detalhes as agruras de uma quase menina nas mãos de torturadores depravados, que, entre outras coisas, faziam questão de despir suas vítimas para que a violência física fosse recheada de traumas inesquecíveis.
Independente de todo esse jogo pragmático de cartas marcadas, que desfigura a todos os que dispõem de qualquer nicho de poder, seja no Executivo, Legislativo ou no Judiciário, Dilma Rousseff entrou definitivamente para a lenda do respeito da cidadania, graças à firmeza com que desmascarou o ex-engenheiro da empreiteira EIT, que por essa condição e por rebento da oligarquia dos “Maias”, entrou para a vida pública ao ganhar de presente, por nomeação, a Prefeitura de Natal.
Como tudo pode acontecer, quem sabe, o Barack Obama possa ser presidente dos EUA e, por conseqüência, se ele não amarelar, possamos ter enfim um (ou uma) presidente no Brasil com sangue nas veias.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Políticos, o que está palavra significa. Para mim é uma palavra obscena, um palavrão imperdoável.
Foi-se o tempo que acreditavamos que o político das quantas, seria o "cara" que resolveria. Ninguém resolverá absolutamente nada. Êste era o país do futuro, predestinado pela sua grandiosidade e suas riquezas naturais. Faltou apenas honestidade por parte destes senhores não sei como definir, aliás saber eu sei só não quero magoar ninguém mais do que já me magoaram. O revanchismo só irá me empobrecer, e não quero isso. Bom, é aquela historia daquela piadinha sempre presente, e verdadeira, Deus quando criou o mundo nos dotou de tudo que era bom, e Houve insatisfações e aí, veio o lado ruim da moeda, colocou essa gentalha para nos governar.
Não quero aqui, falar sobre o passado heróico dessa senhora, mas o que se almeja para o futuro é a continuidade desse pseudo partido, que para mim é igual ou pior que os outros, tudo que é p... é nocivo. É estranho que o atual presidente vindo de remotas convocações de greves anarquistas e oportunistas, tenha a coragem de dizer que não almeja o terceiro mandato, que estaria consignada uma pseudo ditadura, mas usará esta senhora vinda das injustiças da ditadura lá de trás, que agora está se transformando em heroina em um prolongamento de seu mandato, desse tal partido do p dos t que disso não tem mais nada absolutamente. Quando o mandato desses políticos passou a ser geminado aí a descrença ficou maior ainda, pois suas garras se tornaram poderosissimas porque o poder fala alto, sempre, e suas garrar são longas. O que quero dizer é que com o prolongamento dos mandatos fica mais fácil conseguir a reeleição pois o povo coitado, se contenta com qualquer ação de caridade. A nível nacional essa enganação do Pac, que são obras eleitoreiras e oportunistas. E isso tudo se transporta para os demais niveis estaduais e municipais. Então fica fácil para a elite oportunista desse nosso pobre país se apoderar de tudo. Com lobyes, e elegendo seus testas de ferro para defender seus interesses. Quando falo que não acredito em políticos, é porque mesmo sendo uma pessoa integra que chegou lá, não consegue se desvencilhar ou ir contra esse tipo de gente, são esmagados fácilmente. O que conseguem fazer??? Nada absolutamente nada. Se não fizerem alianças, inconvenientes. Há os honestos que não se corrompem, mas para mim não deveriam estar do lado dessa raça dos políticos. Essa senhora provavelmente chegará ao poder, mas será que ela alí lembrará seu passado como vitima da ditadura??? E colocará a filosofia (sua) daquela época em beneficio do povo? Não claro que não, o partido a colocará como instrumento de seu poder. Por isso desacredito nesse povinho, que detem o monopólio, o poder, principalmente os políticos do presente e do passado....

Anônimo disse...

O comentario acima foi postado por
joao lourenço finolio