quarta-feira, 26 de março de 2008

A dengue de hoje e de amanhã




Nós todos temos responsabilidade pela sobrevivência de epidemias de dengue. Não adianta escolher um para Judas.
MINHA COLUNA NO JORNAL POVO DO RIO DE 26 DE MARÇO DE 2008
Tenho ficado fora desses debates sobre a epidemia de dengue que castiga a população do Rio de Janeiro por várias razões: a primeira delas é que todo mundo já tem destinado amplos espaços sobre os casos, as opiniões e brigas entre as autoridades, buscas de culpados e até conselhos sobre as várias formas de se prevenir.
Mas essa não é a única razão. A principal é a minha convicção de que essa era para ser um doença fora das nossas preocupações, tantos foram as ensinamentos herdados de outros surtos, que se repetem com quase exclusividade na cidade do Rio de Janeiro. Em nosso Estado, só há registros significativos hoje em Campos e em Angra dos Reis. Mas numa proporção modesta em relação ao caos que se caracteriza na capital carioca.
Não participo dessa “politização” da discussão. Não acho correto eleger um ente público para malhar, como se isso compensasse as perdas e o grande volume vítimas, principalmente, para variar, as classes pobres.
Antes, concordo com a opinião do O coronel José Sant’Ana Mateus, coordenador-geral-adjunto da Defesa Civil do Estado, para quem a própria população tem uma boa parcela de responsabilidade pela incidência de tantos casos.
O mosquito da dengue faz seu estrago a partir de viveiros em água limpa, que podem existir até numa flor. Em geral, por falta de informação e de consciência comunitária, muita gente dá mole para esses minúsculos assassinos, oferecendo-lhe casa, comida e água lavada.
No entanto, é preciso admitir que algumas autoridades não parecem preparadas para encarar esse tipo de epidemia e deixam seus superiores numa verdadeira saia justa.
Decididamente, o secretário municipal de Saúde, Jacob Klingerman, meu companheiro de tantos embates naqueles idos, não foi nenhum pouco feliz em declarar que teremos de conviver com essas tragédias por muitos anos.
- O contexto ambiental do Rio é endêmico, e nós trabalhamos para diminuir isso. Com os índices pluviométricos do município, nos próximos anos eu não tenho bola de cristal, mas ele (o contexto endêmico) vai permanecer – disse na tv.
Em que esse “contexto ambiental” é diferente de Niterói e dos municípios da Baixada, de longe muito mais precários em termos de equipamentos e pessoal especializado do que a capital?
Que eu saiba, há uma resistência da Secretaria de Saúde do Rio ao programa “saúde da família”, uma versão “genérica” da única coisa que pode dar um jeito nessa e em outras doenças “sociais - o médico da família, que se instala nos bairros e em comunidades, com a preocupação da ação preventiva e da orientação da população para que ela própria faça a sua parte.
Se essa resistência existe realmente, então estaremos de fato expostos aos caprichos do tal “contexto endêmico” .
coluna@pedroporfirio.com

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