segunda-feira, 22 de outubro de 2007

CUIDADO: O MOSQUITO GOSTA DE ÁGUA LIMPA

O Rio vai ficar mais carioca. A chegada do verão devolve alegria à cidade: praias cheias, conversas animadas em mesas de bares nas calçadas, churrascos comunitários nas esquinas e nos quintais, moda mais colorida e “descolada” na, sorrisos grande festa regida pela natureza.
Mas o verão não é só descontração. É tempo de conscientização diante da ameaça da dengue, quer já registrou 481 mil casos no Brasil. O carioca não pode se deixar derrotar por mosquitos e a melhor "arma" é a prevenção, já que, embora estudos científicos estejam em fase avançada ainda não há vacinas capazes de combater aquele que todo ano se transforma no maior e mais triste inimigo da alegria do verão. A Organização Mundial de Saúde estima que ocorram no mundo entre 50 e 100 milhões de casos que resultam em cerca de 500 mil internações e 20 mil mortes por ano. Só no Rio, a capital dói verão, foram contabilizados até setembro 51 mil casos dos quais 35% nas Regiões Metropolitanas ( Raio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo).
A dengue é considerada no mundo um problema gravíssimo, especialmente em países tropicais como o nosso, onde o clima e os hábitos urbanos oferecem ótimas condições para o desenvolvimento e proliferação do Aedes Aegypts, o mosquito transmissor. O combate a dengue depende dos fundamentais cuidados que a população precisa ter. Não permitir que o mosquito mostre suas “garras” é dever de cada cidadão.
O Ministério da Saúde tem feito campanhas de esclarecimento, mas nunca é demais lembrar que cada um de nós é responsável para não permitir que a dengue faça vítimas em nossas casas. É fácil: basta seguir algumas regrinhas: 1) substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor de água; 2) desobstruir as calhas para evitar acúmulo de água; 3) não deixar pneus ou recipientes expostos na chuva; 4) manter sempre limpas as caixas de água, cisternas, barris e filtros; 5) acondicionar o lixo em sacos plásticos e latões com tampa.
Não esqueça: esse é o tipo do mosquito mau caráter: gosta de água limpa e se aproveita de qualquer descuido. Se você tem amor à vida, siga as orientações, antes que seja tarde.
O Brasil já enfrenta graves problemas de saúde. Não podemos deixar que a dengue seja mais um. Como tantas outras essa luta depende de nós.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

GLOBALIZAÇÃO DE MÃOS SUJAS


A interposição fraudulenta é antiga e é sistematicamente investigada pela Receita. A diferença é que agora estamos alcançando o real beneficiário das fraudes". (Gerson Schaan, coordenador de pesquisa e investigação da Receita Federal, referindo-se à multinacional norte-americana Cisco)
O desbaratamento pela nossa Polícia Federal e pela Receita de um sofisticado esquema de fraudes, contrabando e corrupção envolvendo uma das gigantes norte-americanas de informática mostra os riscos a que estamos expostos nessa febre de importação que tantos danos tem causado ao povo brasileiro, em nome da "globalização inevitável. Para mim, essa trama tem a ver com as mágicas que levam ao fechamento de fábricas no Brasil, onde a mão-de-obra é pessimamente remunerada, e até mesmo à conspiração que pôs no chão a nossa mais tradicional companhia aérea. Nesse mundo forçadamente globalizado nada acontece isoladamente.
Ele é absolutamente perverso e desigual, transformando países como o Brasil em verdadeiros reféns de insaciáveis interesses supranacionais, tão criminosos que são capazes de transformar bandeiras de grande apelo popular - como a causa indígena e a questão da ecologia - em cavalos de tróia para a exploração "protegida e camuflada" de nossas riquezas.
Para que você entenda o alcance da grande trapaça, procure saber de alguns fatos que aparecem como altamente positivos, mas que, na verdade, escondem um jogo perigoso e incontrolável. Veja, por exemplo, a "valorização" da nossa moeda.
Tem gente cheia de si, pensando que esse é um indicativo de que nosso País está atraindo um capital estrangeiro voltado para investimentos de olho no nosso mercado. E não é qualquer um que trabalha com esse raciocínio.
No entanto, se fizermos o inventário dos dólares que estão chovendo em nossa horta, contribuindo inclusive para sucessivos e festejados recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, vamos nos deparar com um dinheiro volátil, sem compromisso, que aporta por aqui única e exclusivamente com fins especulativos.
É um dinheiro tão sujo e tão poderoso que já se sobrepôs à meta de queda de juros do Banco Central. Este mês, o Conselho de Política Monetária decidiu interromper as reduções da taxa básica, mantendo-a ainda em patamares atrativos para os especuladores.
Isso se junta ao fenômeno da desvalorização do dólar. Em nosso País, a moeda americana teve uma perda três vezes maior do que na média mundial. Como é vantagem aplicar no sistema financeiro por aqui, os grandes especuladores ganham de várias formas - tanto nos juros, como nos aumentos do índice da bolsa, como na queda da cotação da moeda a que estamos atrelados, o que estimula as importações no Brasil.
Processa-se em grande escala, criminosamente, o esvaziamento de nosso parque industrial, com o aumento do setor comercial e de serviços, este em mãos de grandes multinacionais. Não é por acaso que hoje lhe oferecem um aparelho celular de graça. Eles vão ganhar mesmo é no grande manjar, a conta telefônica com uma margem de lucro tão escandalosa que continuam ludibriando a todos. A operação com a telefonia sem fio é muitas vezes mais barata do que com o velho sistema: no entanto, pagamos mais quando ligamos para um celular do que para o aparelho fixo.
Contrabando made in USA
O que aconteceu no caso da multinacional norte-americana, cujos principais executivos passarão alguns dias na cadeia junto com outros cúmplices?
Esses meliantes, que nos surrupiaram pelo menos 1 bilhão e meio de reais (é dinheiro que não acaba mais), estão sendo indiciados pela Polícia Federal, pilhados numa organização formada para fraudar importações de produtos de informática e telecomunicações, conforme rastreamento competente do pessoal da Receita Federal.
Entre seus crimes já detectados estão contrabando, sonegação, falsidade ideológica, evasão de divisas, interposição fraudulenta, ocultação de patrimônio, uso de documento falso, formação de quadrilha e corrupção. Esse menu pode ser ampliado após análise do material apreendido em empresas e casas dos acusados.
Para variar, a matriz da Cisco Systems se disse surpreendida pelas peripécias dos seus cabeças na América Latina. E ainda teve o desplante de dizer que pretende colaborar com as investigações. Não é para menos. Essa empresa tem ações na bolsa de Nova York, e por menos disso foi à lona outra gigante de lá, a Enron (que andou por aqui mamando nas privatizações). Veja mais detalhes das peripécias da grande empresa norte-americana:
A expectativa da PF e da Receita é que a polícia americana aprofunde as investigações sobre a matriz da Cisco e as filiais da Mude nos EUA. Mude é uma estranha e ativa subsidiária do grupo. A operação mostrou que cinco empresas nos EUA, envolvidas nas atividades ilegais, estão em nomes de brasileiros. Segundo fontes da Receita, são exportadoras que funcionam como laranjas, vendendo produtos fabricados para seis importadoras no Brasil, também laranjas.
Os técnicos do Fisco afirmam que as importadoras estão em nome de pessoas que não têm renda compatível com operações desse porte: "São pessoas que têm renda baixa e moram em lugares simples", disse um funcionário.
Outras duas empresas situadas no Brasil funcionavam apenas como fornecedoras de notas fiscais. Pela fraude, a mercadoria chegava ao Brasil e ia para o galpão da empresa. Depois, outra nota fiscal era emitida, e os produtos seguiam para os verdadeiros compradores.
Estamos falando de contrabando de material de informática, mas poderíamos falar de outros produtos, com outros personagens, é claro. Ou você pensa que a droga consumida no Brasil é refinada aqui?
MINISTRO DO TRABALHO NO JACAREZINHO
É sobre o risco de que o fechamento da GE representa para a economia do País que vamos conversar neste sábado, em pleno Jacarezinho, com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Seu ministério tem hoje uma grande responsabilidade, a defesa do emprego dos brasileiros, e é preciso que se criem as condições para manter a produção de lâmpadas aqui, inclusive de fluorescentes compactas, como era da meta inicial da empresa.
Permitir que voltemos a ser importadores de produtos de consumo obrigatório, como lâmpadas, é abrir espaços para alimentar esquemas internacionais de negócios em que só temos a perder.
coluna@pedroporfirio.com

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A LUTA DOS COMERCIÁRIOS É DE TODOS

A chegada das festas de fim de ano aumenta o número de comerciários nas lojas do Rio com empregos temporários, geralmente ocupados por jovens que só assim conquistam o primeiro emprego e a primeira experiência no limitado mercado de trabalho.
Geralmente não nos damos conta da importância dos comerciários na luta dos em conquistas sociais. Para a maioria da população são apenas vendedores, mas comerciários s devem ser vistos também como motor que agita a cidade. Na recente e comemoração do Dia dos Comerciários a cidade ficou mais triste, sem motivação para andar pelas ruas. Não havia nem vitrines para ver, nada o que pechinchar e comprar.
Comerciários comemoraram no último dia 15, mas oficialmente o Dia do Comerciário é 30 de outubro, data estabelecida desde 29 de outubro de 1932 pelo Presidente Getúlio Vargas. No início do século os comerciários cumpriam jornadas de t12 horas diárias, inclusive aos domingos e feriados. Conviviam como ameaças de demissão caso reclamassem desse regime de servidão. Não mudou muito, mas foram os comerciários que em 11 de junho de 1920 iniciaram a primeira luta sindical fundando em Minas Gerais a União dos Empregados no Comércio.
Foi o primeiro passo para que em 29 de outubro de 1932 cinco mil comerciários marchassem pelas ruas do Rio até o Palácio do Catete para a conquista da jornada de trabalho de oito horas e folgas semanais. Essa vitoriosa marcha marcou a categoria dos comerciários como os precursores da luta dos trabalhadores, mas na última década com a implantação de shoppings e grandes redes de varejo os empresários voltaram a abrir aos domingos para “gerar mais empregos”: não há vagas, usa-se a mesma equipe e as vendas não aumentam: dos 23,8% dos 189 milhões de brasileiros que dizem comprar aos domingos apenas 13% compram e a jornada de trabalho não é cumprida. Os comerciantes alegam que o recente “feriadão” representou prejuízo de R$ 85 milhões. É prejuízo ou os sempre gananciosos empresários apenas deixaram de ganhar mais? Os fatos mostram que a luta dos comerciários, assim como a de todos os trabalhadores continua. Ainda há muito a reivindicar e conquistar.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

EM DEFESA DOS EMPREGOS DA GE

Ainda é tempo de evitar o anunciado fechamento da fábrica de lâmpadas que a GE mantém em Maria da Graça desde 1921.A desativação da fábrica se for mesmo concretizada, representará o fim do último grande núcleo de mão de obra no Jacaré, o que significa desemprego para 900 metalúrgicos (a fábrica chegou a empregar 8 mil operários na década de 70) e a oferta de incentivo para tudo que é ruim. Isso sem falar nos cinco mil trabalhadores que giram em torno da fábrica através de fornecedores.
É para reagir ao quadro que sem dúvida deixará ainda pior a situação do Jacaré e de seu entorno que nos últimos anos assistiu ao fim de diversas fábricas que representavam emprego e esperança para os moradores e trabalhadores do bairro, que foi realizada ontem a primeira audiência pública da Comissão de Trabalho da Assembléia Legislativa presidida pelo deputado Paulo Ramos e com a presença do Secretário do Trabalho do Estado do Rio, de representantes do sindicato, do Ministério Público Federal e Estadual, e de um do Ministro do Trabalho. Carlos Lupi.
O Ministro do Trabalho Carlos Lupi está empenhado em evitar o desemprego e em assegurar que os trabalhadores não sejam prejudicados em seus direitos. Para isso estará reunido no sábado pela manhã com os metalúrgicos, os moradores e os lideres comunitários do Jacarezinho. Reunião na qual também estarei presente assim como estive na audiência pública porque aceitar a confirmação do fechamento da fábrica da GE de Maria da Graça é compactuar de um golpe mortal na massa sem opções, já atingida a partir do governo Collor, quando o então segundo pólo industrial da cidade começou a ser desmontado acarretando o fechamento de uma centena de fábricas. Mais uma,não porque representará que o mercado será atendido com a importação de lâmpadas da China,já que a GE alega que “a produção de lâmpadas, especialmente as incandescentes, é um negócio que apresenta queda de rentabilidade”. Quer dizer: só o que interessa é o lucro doa a quem doer.
Como o vereador mais identificado nos último 25 anos com todas as causas do Jacarezinho estou convencido de que a luta será grande e necessária porque o anúncio de que a GE desativará sua fábrica no Rio em 2008 é um grande desafio para os governos federal, estadual e municipal e reflete a perigosa submissão do Brasil a uma globalização na qual só temos a perder.

A GRANDE LIÇÃO DOS PROFESSORES

Na novela “Sete Pecados” a professora Miriam ( interpretada por Gabriela Duarte) enfrenta todo tipo de dificuldades para fazer funcionar uma escola de periferia. A falta de condições de trabalho não impede a professora da ficção de exercer sua vocação de ensinar e de manter a escola funcionando mesmo que precariamente. Nossas escolas de verdade estão caindo aos pedaços, os professores enfrentam dificuldades (baixos salários, precárias condições de trabalho, ameaças e muitas vezes até a falta de alguns trocados para locomoção) para manter as salas de aula funcionando para fazer simplesmente o essencial: ensinar.
É no esforço pessoal de cada um de nossos professores que está o ensinamento maior de vida: o da dedicação e entusiasmo. Levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira mostra que o déficit de professores nos níveis fundamental e médio da educação básica ultrapassa 250 mil professores. Faltam professores, faltam escolas, mas não faltam alunos: nos últimos anos aumentaram 53% as matrículas no ensino médio. O estudo mostra ainda que consideradas as matrículas iniciais no Ensino Médio percebe-se a necessidade de Cursos Superiores na Baixada Fluminense.
O trabalho de professores de todos os níveis deve ser reconhecido diariamente, mas não tem sido assim. No recente Dia do Professor a data mal foi lembrada. O Dia do Professor surgiu em 15 de outubro de 1827 através do Decreto Imperial de D. Pedro I, determinando que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem sua escolas de primeiras letras”, com descentralização do ensino e as matérias básicas para os alunos. Somente em 1947 aconteceu a primeira comemoração até a data ser oficializada pelo Decreto Federal 52.682 de 14 de outubro de 1963. “para enaltecer a função do mestre na sociedade moderna”.
Agora não houve festa. Não há motivos para comemorar. Talvez a festa maior aconteça quando os governos reconhecerem de a importância do professor com melhor remuneração e condições básicas de trabalho. Cada vez mais sacrificados os professores continuam aí para ensinar. Os governos é que precisam aprender.

MAIS UM BALANÇO TRÁGICO DE FERIADÃO

Fim de feriado é também fim de pesadelo para muitas famílias que se preocupam com mães, pais, filhos, sobrinhos, netos que se acotovelam nas estradas para uma cansativa viagem de repouso. A preocupação faz sentido: é nos feriados prolongados, quando todos viajam mais relaxados e quase sempre irresponsavelmente, que acontece o maior número de acidentes fatais nas estradas que nos permitem descansar em pequenos paraísos.
Viagens de descanso (muito cansativas) provocam dezenas de acidentes. Temos feriados demais e os números de acidentes têm ligação com a desnecessária quantidade de feriadões. Logo no primeiro dia do feriado prolongado que mal terminou os dados são (não há ainda levantamento completo) alarmantes com 48 acidentes (9 mortos e 12 feridos). Quinze mortes em 48 horas. Pode-se argumentar que não é a maioria da população com condições de ter carro e viajar. Não é mesmo, mas acidentes nas estradas fazem vítimas de todos os tipos: humildes moradores de beira de estrada que caminham pelos acostamentos, também irresponsavelmente ocupados por veículos em alta velocidade; passageiros de ônibus, enfim toda sorte de vítimas (são mais de 3 mil atropelamentos por ano com 1.776 mortes em 2004, ou seja, uma morte a cada 198 atropelamentos). Importante alerta nos é dado pelo número de acidentes: a cada dois anos o Brasil perde 3.996 vidas (números de 2004) nas estradas, ou seja, a mesma quantidade de pessoas que os americanos perderam em quase 12 anos da absurda guerra no Vietnã. Perdemos vidas preciosas e dinheiro: os gastos com acidentes nas rodovias são de R$ 22 bilhões por ano (6.5 bilhões em estradas estaduais, R$14 bilhões em estradas estaduais e 1,4 bilhões em estradas municipais), o que representa 1,2% do PIB brasileiro. Acidentes em estradas são causados na maioria das vezes por falhas humanas e má conservação de vias, o que mostra que é preciso orientar mais e melhor os motoristas para que não continue sendo de 51,5% o número de vítimas fatais em cada 100 mil veículos registrados. O carro é uma máquina para ser usada com responsabilidade. É hora de tirar o pé do acelerador e pisar no freio dos carros. E da consciência.

NA PIRATARIA, O CAMELÔ ESTÁ NA PONTA

Pra início de conversa quero deixar bem claro que sou contra a pirataria de qualquer produto. Exatamente por isso não posso fechar os olhos diante da realidade: a venda de produtos falsos, principalmente CDs e DVDs, que aumenta todo dia. Levantamento da Federação do Comércio do Rio de Janeiro concluiu que “a pirataria vem sendo cada vez mais incorporada ao cotidiano do cidadão”. 81% compram CDs piratas e a venda de DVDs pirateados aumentou 51%) . O estudo revela ainda que 42% dos brasileiros assumem ter comprado produtos pirateados.
Novamente tentam culpar consumidores e camelôs que, convenhamos, são os menores responsáveis porque se limitam a vender produtos que lhes chegam às mãos produzidos por, esses sim, “fabricantes” ilegais de fundo de quintal. Noventa e sete por cento dos consumidores justificam a aquisição porque “tem um preço mais em conta”. Portanto, o combate à pirataria passa por aí e nem mesmo as apreensões (foram R$263 milhões em 2006 (80% no Rio e Espírito Santo). Estima-se que até o final do ano a Receita Federal terá apreendido, através da Polícia Civil, mais de 1,5 milhões de produtos falsificados ( CDs, DVDs, óculos, roupas e brinquedos eletrônicos,principalmente). O brasileiro reconhece os males da pirataria, mas mal remunerado vê frustrada a intenção de adquirir produtos no mercado formal.
Não é tomando no peito e na raça produtos que estão nas ruas que se colocará fim à pirataria. Não adianta perseguir que vende. É preciso combater quem “fabrica”, mas a corda não arrebenta do lado mais forte e sim, como sempre, do lado mais fraco.
Pirataria de qualquer tipo é um crime que destrói empregos, fortalece o crime organizado, suja a imagem dos produtores e diminui a arrecadação. Ou seja: lesa a todos nós. Pirataria não é novidade: antes mesmo de Gutemberg (1400 -1486), o inventor da prensa, fazer a primeira tiragem original da Bíblia exemplares piratas do livro sagrado circulavam clandestinamente na Europa. Desde aquela época se sabe - se que o combate à pirataria não se dará perseguindo ambulantes. O buraco é mais embaixo e é nesse que se deve entrar a fundo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

DIA DA CRIANÇA, MAS NÃO DE TODAS

Hoje é Dia da Criança. Deveria ser, mas infelizmente não é bem assim: nem todas as crianças ganharão presentes, almoços especiais, uma festinha qualquer. A realidade que perambula pelas ruas nos rostos de meninos e meninas sujos e maltrapilhos mostra diariamente que o abandono infantil se acentua e na maioria das vezes fingimos não ver. Ou ver e não querer enxergar.
Nenhuma criança escolhe fazer da rua, onde deveria apenas brincar, moradia por pirraça ou teimosia. Estudos comprovam que de milhares de crianças abandonadas apenas 5,2% são órfãos. Existem muitos e cruéis motivos que fazem as crianças preferirem a rua. As causas mais freqüentes são: pobreza (24,2%), abandono (19,9%), violência doméstica (11,7%) e pais dependentes de álcool e drogas (11,4%).
São números perversos que nos mostram claramente que não se faz necessário olhar apenas para as crianças, mas também e talvez principalmente para os s pais, que também precisam de atenção e orientação que lhes permita dar aos filhos famílias sólidas, se não financeiramente pelo menos afetivamente. Afinal, ninguém troca o amor de um lar pelo frio e medo de ruas sombrias, esburacadas e sujas. Tão sujas quanto o descaso que faz de crianças que deveriam sorrir apenas vítimas de uma política social injusta e desumana.
Pesquisas mostram que 2% das crianças que perambulam pelas ruas não têm família ou algum parente que as ampare. Cruel: 92% estão na rua paras escapar das agressões físicas cometidas por pais ou responsáveis, melhor dizendo, irresponsáveis. Em 1976, em Brasília, a CPI do menor abandonado concluiu que pelo menos 2 milhões de crianças abandonadas perambulavam pelo Brasil. Nada da se fez.
Criado através de decreto nº.4867 do presidente Artur Bernardes no dia 5 de novembro de em 1924 (a sugestão, em 1920, foi do deputado federal Galdino do Valle Filho) o Dia da Criança ( só passou a ser mundialmente comemorado em 1960) nasceu para ser um dia de festa, mas só terá sentido e estará completa quando houver reais políticas capazes de resolver o problema. É fundamental olhar mais para nossas crianças. Só assim poderemos olhar melhor para o futuro.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

MULHER CADA VEZ MAIS PRESENTE

Lembra: não faz muito tempo era comum dizer até por brincadeira (de mau gosto, por sinal), que lugar de mulher é no tanque. Nada de repetir essa piada. As mulheres conquistaram mercado profissional e com ele a responsabilidade de chefiar famílias.
Não se surpreenda: esse é um dos dados da pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 29,9% das entrevistas as mulheres foram apontadas como referências do lar, o que representa aumento de 8% em relação a 1996.
Comodismo dos homens? Não. Segundo a pesquisa mudaram os critérios para que as famílias escolham o responsável pelo lar. O novo critério inclui a escolaridade feminina e a posse dom imóvel pela mulher, confirmando o crescimento do poder feminino. Mas os homens continuam ganhando mais em 47% nas famílias lideradas por mulheres, mas quando o casal trabalha o homem recebe (em 70% dos casos) melhor salário, o que mostra que a desigualdade persiste nas relações de trabalho.
É uma importante radiografia do Brasil, confirmando a cada vez maior importância feminina para a capacidade produtiva de um país que precisa unir forças no enfrentamento das muitas e dificuldades que enfrenta.
Outro dado importante da pesquisa revela que mais da metade dos alunos que freqüentam as universidades públicas é da faixa que compreende os 20% maus ricos da população, conseqüência de um melhor preparo e um alerta para que se dê aos alunos do ensino público médio as mesmas condições de disputa.
Esse, aliás, é o grande problema. A Universidade pública não pode ser seqüestrada pelos que podem pagar uma particular. Mas também não podem ser asseguradas aos que precisam pelo sistema de cotas, que compromete a qualidade dos futuros profissionais. É preciso, sim, ensino de segundo grau e de base que capacite, como os CIEPs criados por Brizola.
Quase sete em cada dez analfabetos são pessoas identificadas como preta ou parda, totalizando 10 milhões de pessoas em todo o país. O analfabetismo entre os indivíduos com 15 ou mais anos de idade é de 6.5% para os brancos e 14% para pretos e pardos.
Importante a comprovação de que lugar de mulher não é no tanque. Afinal, não é de hoje que inventaram a máquina de lavar. Que, aliás, é ela quem, na maioria das vezes compra. E paga.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

OS NÚMEROS MORTAIS DA VIOLÊNCIA

Chama atenção a incoerência dos números de um balanço, relativo ao primeiro semestre do ano, divulgado há dias pelo Instituto de Segurança Pública. O relatório confirma o aumento de número de mortos em confrontos com a polícia e o também aumento de assaltos a pedestres nas ruas de um Rio que está passando violentamente pelas nossas vidas. Foram oficialmente (não há registro de todas as ações porque muitas vítimas não prestam queixa) nos últimos 16 anos ( a maior registrada no período) e que certamente acontecem (e pelo visto continuarão acontecendo) pela absoluta fala de policiamento nas ruas.
Os policiais e seus caveirões que invadem favelas, não porque queiram, mas por falta de um adequado planejamento para um mais eficiente combate ao tráfico, seriam não tenho dúvidas, mais úteis e competentes nas ruas em defesa dos pedestres, já que as violentas ações nas favelas não conseguem resolver e nem diminuir o problema. Pelo contrário: o agravam na medida em que durante as invasões tiros são disparados pra todo lado alvejando (e matando) dezenas de inocentes.
As ineficientes operações policiais nas áreas mais carentes e desprotegidas do estado aumentaram em 33,5% o número de mortos (mais inocentes do que culpados) em confrontos com a polícia. Só em maio, segundo o relatório, em uma única operação policial foram mortas 19 pessoas no Complexo do Alemão. Foram no total e até agora 694 casos (137 mortes em conflito). Não são apenas os cada vez mais freqüentes assaltos e balas perdidas que ameaçam os pedestres: no trânsito houve aumento 4,9% de vítimas. Roubos a carros também preocupam: 93 veículos são “levados” por dia.
Merece profundo estudo o relatório divulgado pelo Instituto de Segurança Pública. O ISP é uma autarquia criada em dezembro de 1999 para planejar e implementar políticas públicas e auxiliar a Secretaria de Segurança Pública no Rio de Janeiro. Estão esperando o que?
É hora de agir com inteligência e planejamento para tranqüilizar os moradores da cidade. O que não dá é o cidadão continuar caminhando pelas ruas com medo até da própria sombra. Nem tentar resolver o problema da violência urbana com ações de extermínio nas comunidades, onde vivem milhares de trabalhadores e jovens que precisam de um outro tipo de atenção do poder público.

POR UMA SOLUÇÃO HUMANA PARA OS CAMELÔS

Todo dia abrimos o jornal e tem notícia envolvendo os camelôs em um ponto qualquer da cidade. Os camelôs continuam sendo injustamente perseguidos e não parece haver por parte das autoridades qualquer desejo de negociação (camelôs, convenhamos, sabem negociar) para selar a paz com os ambulantes e para a cidade. Não é tão difícil chegar a uma solução satisfatória.
É o que se supõe diante do encantamento que o prefeito César Maia mostrou recentemente diante da tranqüila (nenhum tipo de perseguição violenta e absurda) ação dos camelôs que se plantam nas ruas de Manhattan, em Nova Iorque. Em seu ex-blog o prefeito lembra que lá, “há camelôs autorizados - em geral nas esquinas - e outros não autorizados” e os “policiais não dão a mínima bola e ficam nas esquinas sem molestar a nenhum deles”.
Esse comportamento não é obra do acaso: algum tipo de acordo deve ter sido feito para encontrar a solução – uma solução que, aliás, pode estar próxima da nossa realidade se houver boa vontade de acertar ponteiros. Camelôs são pessoas que querem apenas exercer o direito de trabalhar, como faz qualquer cidadão decente. O cada vez maior número de ambulantes (ambulantes existem desde 1904 quando eram 5208 registrados na Prefeitura do então Distrito Federal) é consequência do desemprego que levou para a informalidade, como mostram estudos, ex-metalúrgicos, motoristas, professoras, todos desempregados, além de jovens que nunca tiveram acesso ao primeiro emprego. Dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho, criada em 1919 para promover a justiça social e que tem escritórios no Brasil desde 1950) mostram que entre 1990 e 2001 de cada 100 pontos de trabalho na América Latina 69 são infirmais. O nosso Ministério do Trabalho estima que cerca de 40 milhões de brasileiros atuem no setor do trabalho informal.
Como o estímulo é mais eficiente em qualquer atividade esse é o momento de criar políticas que não obriguem o camelô a fugir de perseguições diárias como se um bandido fosse. É mais competente encontrar fórmulas para estimular o trabalho autônomo organizado. Sem violência e perseguição.

NINGUÉM VIVE NA RUA PORQUE QUER

Repare só como a pressa com que andamos pelas ruas não nos deixa perceber muitas coisas. Uma delas é o cada vez maior número de moradores de rua nas esquinas de todos os bairros. Moradores de rua não são preguiçosos que querem “sombra e água fresca”. São vitimas do desemprego, pessoas expulsas do mercado de trabalho que não encontram alternativa a não ser a de transformar qualquer calçada esburacada em cama e moradia.
Não há números precisos, pela própria natureza móvel dessa população, mas estatísticas revelam que existem atualmente cerca de dez mil pessoas vivendo nas ruas do Rio. Durante a realização do Pan os moradores de rua foram recolhidos: era preciso limpar a cidade diante dos olhos do mundo, mas até agora nada foi feito para melhorar a vida dessa infeliz parcela da população, que, em sua maioria, não tem documentos e acesso a serviços públicos básicos. Às vezes nem a um prato de comida. Pior: moradores de rua são vistos pela população como marginais dos quais se deve fugir.
Estudos mostram que moradores de rua são ex-trabalhadores formais, da construção civil ou de serviços domésticos, que não conseguem inclusão no mercado de trabalho. Pessoas que romperam o vínculo com o estado e o país e não têm comunicação com as instituições porque ainda não existem políticas públicas específicas de inclusão social. O tão auto elogiado Bolsa-Família não resolve: grande parte da população de rua não o recebe simplesmente porque não sabe ou não o conhece. Muitas vezes são pessoas que vieram para as ruas, tiveram filhos e seus filhos tiveram precocemente filhos formando três gerações de pessoas nunca registradas e que não têm sobrenome.
Não é suficiente “recolher” só por “recolher” os moradores de rua. É preciso mais, muito mais. Quando fui secretário de Desenvolvimento Social, criei o programa “De volta à terra natal”, para aqueles cujas famílias estavam em outra cidade. Teve grande sucesso na época, porque a Prefeitura custeava seis meses de seu reassentamento. Como diz Aparecida Magali, psicóloga e pesquisadora de saúde pública da Universidade de São Paulo “não se pode violentar os moradores de rua arrancando-os dessa condição”. É necessário orientá-los até que encontrem um motivo para deixar a rua e, desta forma, conseguir superar a situação em que se encontram. Há muita coisa urgente para resolver. Essa é uma. Antes que seja muito tarde.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

MILAGRE É VIVER COM SALÁRIO MÍNIMO

Não é de hoje que eu, você, toda a população ouve falar em um tal “milagre brasileiro”. Existe, sim, mas não é um milagre brasileiro, como o tão prometido, mas nunca cumprido, por todos os governantes. É isso sim o milagre do brasileiro, povo heróico que sobrevive com um salário mínimo que os governos consideram vantajoso, mas que está completamente fora da realidade.
Os R$ 380 pagos hoje (nem todo mundo recebe “isso tudo”) não dão nem para a saída na hora de cobrir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte e previdência (que também não oferece muito). Enfim, o que a Constituição prevê para que um cidadão brasileiro possa ter uma vida menos sacrificada. Eu poderia dizer uma vida mais digna, mas não é o caso: dignidade sobra nesse povo que sobrevive dando verdadeiras cambalhotas para ter o que comer no dia a dia socialmente injusto. Injusto em tudo.
O salário mínimo ideal deveria ser 4,5 vezes maior do que é pago (quando é) atualmente. Os cálculos são do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Para o Dieese o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 1737,16. Talvez assim o mínimo fosse, em todos os sentidos, o máximo.
Os R$ 380 pagos atualmente mal dão para comprar uma cesta básica. Para o Dieese um trabalhador que ganha um salário mínimo por mês compromete quase a metade (48,41%) da remuneração, descontada a previdência (que, aliás, também não oferece muito) na compra da cesta básica de alimentos que no Rio de Janeiro é de R$187, 95, o que, convenhamos, não é suficiente pra alimentar razoavelmente uma família. Há um ano o percentual do salário mínimo necessário para a compra da cesta básica era de 46,04%. Quer dizer: aumentou 3,37%.
Esses são os números (e os números não mentem) de uma realidade que, pelo visto, não tem qualquer perspectiva de melhora: por mais que os governos até se vangloriem de estabelecer o máximo (aí já é outra discussão) o salário do trabalhador continuará sendo sempre e literalmente o mínimo. O mínimo dos mínimos. E reconhecidamente um dos mais baixos de todo o mundo. Na América Latina: só no Haiti o piso é menor.

O FECHAMENTO DA FÁBRICA DA GE

A notícia do fechamento da Fábrica da General Eletric em Maria da Graça é mais um golpe mortal que atinge diretamente a comunidade do Jacarezinho, sua vizinha.
Desde quando foi se espalhando, a população daquela comunidade gravitou originalmente em torno dessa indústria que chegou a ter 4 mil empregados e mantinha um portão de acesso direto ao Jacarezinho.
A GE estava no Rio de Janeiro desde 1919 e seu parque em Maria da Graça, próximo ao Jacaré, era a grande âncora do bairro nos tempos em que ali existia o segundo centro metalúrgico da cidade do Rio de Janeiro.
Nos últimos 30 anos, esse parque industrial foi sendo desativado, principalmente porque nunca se modernizou, nunca investiu em novas tecnologias. O resultado é a transformação do entorno no maior núcleo de desempregados da cidade. Trabalhadores com alto índice de experiência e especialização andam por aí, de um lado para outro, procurando sobreviver do trabalho informal. Muitos camelôs são ex-metalúrgicos que precisam manter suas famílias. Ali, a situação chegou a um ponto em que agora são as mulheres (muitas empregadas domésticas) e os aposentados que respondem pelas despesas da casa.
A empresa publicou uma nota, garantindo que cumprirá com todas as obrigações trabalhistas e criará um programa de benefícios que prevê, inclusive, o eventual aproveitamento de alguns dos demitidos em outras unidades do grupo.
Mas o que será de suas instalações, que tem uma grande capacidade produtiva? Há vários casos, inclusive no Rio de Janeiro, em que os próprios trabalhadores tocaram por conta própria indústrias que fecharam de uma hora para outra.
No caso da GE, há mais de dez anos ela se dedicava à produção de lâmpadas, inclusive fluorescentes. Mas as importadas de suas unidades da Ásia chegam muito mais em conta, até porque adotam modernas tecnologias.
O diretor de relações institucionais da GE, Newton Galvão, resumiu os motivos que levaram à desativação.
- É um momento difícil, mas necessário para a empresa. A realidade do negócio é que os custos para se manter uma fábrica são crescentes, enquanto sua rentabilidade tem queda contínua, quando seus produtos já não respondem às demandas do mercado. Queremos continuar a atender o consumidor da melhor forma possível e vamos fazer isso (vendendo lâmpadas importadas).

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

UMA RUA CHAMADA LEONEL BRIZOLA

Você sabe quem é a pessoa que dá nome à rua em que mora, na qual trabalha ou passa, mesmo que seja só de vez em quando? Pergunto isso porque muitas vezes não tempos a menor idéia de quem foi o homenageado com nome de rua, seja pequena ou da maior importância como é, por exemplo, a Avenida Getúlio Vargas. Nunca sabemos direito quais os critérios adotados para homenagear alguém quase sempre de forma de forma definitiva (raramente ruas mudam de nome) com o nome de uma rua. Nomes de ruas, praças e cidades são uma maneira de eternizar pessoas ou personagens que de alguma forma tiveram importância para a história do país, do estado ou simplesmente do bairro.
É essa eterna e justíssima homenagem que enfim será prestada a Leonel de Moura Brizola, mais do que um nome uma legenda escrita em letras maiúsculas na história política do Brasil. Só agora, por iniciativa do deputado Zito, da Assembléia Legislativa do Estado do Rio, Leonel Brizola dará nome e certamente encherá de orgulho a principal avenida de Duque de Caxias, até agora chamada de Presidente Kennedy. A nova Avenida Governador Leonel de Moura Brizola (o projeto certamente será sancionado pelo governador Sergio Cabral) fará a ligação entre 12 bairros pela Rodovia RJ 101, que é como ele, Brizola, com vários “Brizolões”, as escolas de qualidade que ele implantou, como sonhava, para as crianças.
Não custa relembrar: Brizola começou a escrever um novo capítulo da política brasileira a partir de 1961, quando da mal explicada renúncia de Jânio Quadros. Desde então emergiu a figura lendária em que se transformou Leonel Brizola que aos 36 anos proclamou um rotundo não passarão e impediu que uma junta militar usurpasse o poder,já no Planalto .
Mesmo monstruosamente perseguido Brizola foi o resgate mais cristalino do projeto nacional, o guardião mais determinado das conquistas trabalhistas, o verdadeiro libertador, com uma intuitiva percepção.
Sua luta abriu caminhos como abertos estão para o povo os caminhos da Avenida que levará seu nome. Novamente Brizola e o povo caminham juntos nas ruas. Mas Brizola não será lembrado eternamente apenas como nome de rua. Ele foi, é e continuará sendo uma das mais belas páginas da história políticas e da democrática do País e de um povo que hoje pode manifestar-se porque Brizola existiu. Continuará existindo. Eternamente e em todas as ruas e avenidas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

IDOSOS, AS MAIORES VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA

Ninguém aceita covardia. Certamente você, leitor, não gosta de ver ou saber que um indefeso idoso está sendo agredido ou maltratado em casa, na rua, na vizinhança. Então de saída anote esses números: 3399-3181, 3399-3182 e 2299-5700. São os números dos telefones da Delegacia de Atendimento e Proteção ao Idoso e do Ligue-Idoso, através dos quais todos nós podemos impedir que aumentem as estatísticas da violência contra os mais velhos.
Os idosos têm sido vítimas de maus tratos em casa e nas ruas, vítimas de familiares e de estranhos. É o que mostra estudo do Instituto de Seguranças Pública: em cinco anos o número de registros de casos de violência contra quem tem mais de 60 anos cresceu 40%. É assustador e desumano: em 2006 foi de 41 mil o número de registros, enquanto em 2002 eram 29 mil as ocorrências, o que significa um triste aumento de 12 mil casos. O estudo revela ainda que ameaça e estelionato são os crimes mais freqüentes. Os roubos aparecem em terceiro lugar.
O relatório revela ainda que 55,9% das ocorrências contra idosos no Rio acontecem na capital. A Zona Norte lidera com 51,35%, seguida da Zona Oeste (20,9%) e Zona Sul com 54 18,4%. No Centro está o menor número de registros (9,4%) de ameaças (7.7%, estelionato(7,3%),roubos de veículos)6,7%), lesão corporal dolosa (5,5%) e lesão corporal culposa (5,%) em trânsito que ocorrem contras idosos entre 60 e69 anos e maus tratos contraidosos entre 70 e 79 anos.
A covarde violência contra os idosos não está só nas ruas: mais da metade dos idosos que registraram queixa convive com o agressor, que pode ser um parente, um amigo e o companheiro ou companheira. As queixas mostram que dentro de casa tem um filho que baste na mãe, no pai, no avô, na avó. Das últimas 22 ligações recebidas pelo Ligue-Idoso 21 estavam relacionadas a denúncias de maus tratos pelas famílias. Idosos podem buscar ajuda no novo posto da Delegacia Especializada de Atendimento ao Idoso na estação de metrô Siqueira Campos, Copacabana.
A pesquisa mostra que são fundamentais novas políticas públicas de segurança e apoio à população de 60 anos, que cresce a cada dia. Violência contra idosos é covardia.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

OS NÚMEROS ASSUSTADORES DA VIOLÊNCIA

A manchete do POVO de ontem é de arrepiar: “Rio mata mais que Colômbia”, na matéria da página 3, assinada pela editora Giselle Sant`Anna, baseada em dados oficiais da ONU, ela destaca: “em um mesmo período, 49 mil e 900 pessoas foram mortas na cidade, enquanto 39 mil em território colombiano”, envolvido numa guerra civil há mais de 40 anos.
Curiosamente, o apresentador Luciano Huck, que teve medo de morrer ao ser assaltado no bairro chic dos jardins, em São Paulo, escreveu na FOLHA DE SÃO PAULO porque havia desistido do carro blindado: ““não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro”.
Os dados do relatório que teve um tratamento muito competente de Giselle Sant`Anna, repercutiram em toda a imprensa brasileira e apresentou informações chocantes, entre eles: as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro respondem pela metade dos crimes em todo o país.
O mais grave acontece no Estado de São Paulo, o mais rico do país, que responde pela metade dos impostos recolhidos pelo governo federal. Embora tenha apenas 0,17% da população do planeta, aparece com uma estranha façanha: um em cada 100 crimes no mundo de mais de 6 bilhões de habitantes acontece no Estado brasileiro.
Os números são fartos e respondem também por outra estatística gritante: 70 em cada 100 brasileiros não se sentem seguros ao voltarem para casa.
O estudo foi feito por uma agência da ONU destinada à questão da habitação. Mas acabou entrando pela questão da criminalidade, estabelecendo uma ligação entre os problemas sociais e a violência.
Eu bem que poderia falar mais em números, mas a matéria de ontem do POVO ocupa quase uma página inteira com preciosas informações.
Coloco-me aqui em seu lugar, ao procurar resposta para esse ambiente assustador. Afinal, quais as verdadeiras causas de tanta matança? O que a sociedade e os governos podem fazer para impedir o crescimento ameaçador dessa onda mortal?
Por mais que a gente parta para uma resposta imediata, pelo que aparece à primeira vista, corre-se o risco de chegar a conclusões superficiais, que não levam à redução da violência. Por hoje, deixo no ar as indagações. Você, o que pensa?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A HORA DO JOVEM É HOJE OU NUNCA

Não estranhe se mais uma vez volto a conversar com você, leitor e amigo, sobre os jovens. Os graves problemas, especialmente os causados pelo desemprego e despreparo profissional, da juventude têm me preocupado e mobilizado muito. Estou empenhado em viabilizar projetos e propostas (já, já você tomará conhecimento) através dos quais nós, os mais experientes, possamos ser mais corretos com essa juventude que é a única esperança de um futuro melhor e mais justo. Mais justo do que o presente tem sido com ela.
Veja se não é motivo para uma enorme preocupação: pesquisa do Dieese confirma que o desemprego é mais perverso com os jovens que preenchem uma taxa de desocupação duas vezes maior do que a população em geral. Chega a ser cruel: 46,4% do total de desempregados nos maiores centros urbanos é formada por pessoa de 16 a 24 anos em praticamente todas as capitais do Brasil.
Essa terrível realidade é também consequência do baixo crescimento da economia. O estudo do Dieese ressalta que “o baixo crescimento da atividade econômica nos últimos anos limita a geração de emprego o que no caso dos jovens é agravado pela inexperiência (mas, como ter experiência sem emprego?) e baixa escolaridade de muitos candidatos”, o que reforça a necessidade de ter pelo menos programas de aperfeiçoamento profissional em todas as áreas.
Os jovens são rejeitados e discriminados em outras áreas: vítimas ou responsáveis por grande número de acidentes no trânsito os jovens encontram dificuldades até para fazer seguros automobilísticos: as seguradoras praticam tarifas superiores a veículos dirigidos por jovens.
O mais grave: os jovens são também os grandes alvos da violência urbana, compondo a faixa mais numerosas de vítimas das mortes em ações policiais.
Jovens são como passarinhos: durante muito tempo ficam nos nossos ninhos, mas depois criam asas e querem voar sozinhos, mas para que isso aconteça é preciso prepará-los para vôos seguros. Os jovens só podem voar sozinhos se houver espaço e condições para isso. Abrir e conceder esse espaço depende de todos nós. O futuro do país está no vôo dos jovens. É nosso dever estar cada vez mais atentos a isso.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

JOVENS À BEIRA DE UM ATAQUE ETÍLICO

Nada contra tomar um choppinho no final da tarde para “jogar conversa fora” nos botequins da vida. Essa é uma característica brasileira, muito mais carioca, que se manifesta não é de hoje. Uma “loura gelada” quase sempre cai bem (o Brasil é o quinto maior produtor e de cerveja do mundo). O problema é saber parar para não cometer exageros. Beber moderadamente é uma questão de sabedoria e de respeito pela vida. A sua e a dos outros.
É exatamente para evitar os perigos do excesso de consumo de bebidas alcoólicas, considerado um problema de saúde pública, que alguns necessários alertas têm sido feitos. Quer um exemplo? Estatísticas revelam que metade das mortes no trânsito envolve motoristas embriagados. Tenho filhos rapazes que, felizmente, como eu, também não bebem irresponsavelmente.
Fica mais alarmante tomar conhecimento de reveladoras pesquisas mostrando que o consumo de álcool tem aumentado de forma significativa entre os jovens, o que é ainda mais preocupante: o alcoolismo é uma tragédia em qualquer idade: destrói o indivíduo, desequilibra a família e traz um custo imenso para a sociedade.
Trabalho realizado pelo Instituto Nacional Anti-Drogas concluiu que os jovens participam de forma cada vez mais expressiva da estatística de alcoolismo no País e já correspondem a 10% da parcela de brasileiros que bebem muito. A juventude soma hoje o surpreendente total de 3,5 milhões de alcoólatras. Em cinco anos a ingestão de bebidas alcoólicas entre os jovens aumentou 30% entre os de 12 a 17 anos e 25% entre os de 18 a 24 anos.
Os números justificam e fazem importante o alerta do Ministério da Saúde. Ninguém está pedindo para que se abra mão (o que, aliás, também seria uma boa) do tradicional choppinho de fim de tarde. Importante é beber com moderação e nunca perde de vista: se beber não dirija. Mais do que isso é colocar vidas em risco. Sem essa de usar a velha desculpa de que a bebida é companheira ideal para um bom papo. Nada disso: uma boa conversa,assim como uma boa amizade, não precisa ser necessariamente movida a álcool. Especialmente entre os jovens que ainda tem muito a aprender. Principalmente a beber numa boa.

QUANDO O PRÊMIO NÃO COMPENSA

Estudar é exercitar um direito ou fazer um favor à sociedade? Essa pergunta me veio à cabeça ao tomar conhecimento de um decreto do prefeito César Maia, estabelecendo prêmios para alunos que se destacarem no terceiro ciclo do ensino fundamental.
Defensor da Lei Darcy Ribeiro, base da proposta que acaba com a pedagogia da repetência, excludente e principal causa da evasão escolar, confesso que fiquei surpreso com a adoção desse tipo de incentivo, que restabelece a competição primária e entra em choque com a própria tentativa de introdução do sistema de progressão continuada, adotada sob fogo cruzado pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
Não é por aí, digo com pureza d`alma. É como se um pai garantisse vantagens aos filhos pelas notas escolares. Se tiver boa nota, ganha um bom presente. Não tendo, fica a ver navios.
Todo o incentivo no âmbito da educação deve ser de natureza coletiva e não vinculado ao desempenho. Antes, deve preceder ao resultado escolar. Quero dizer: melhorem as condições de uma escola pública, a qualidade dos equipamentos disponíveis, inclusive bibliotecas; os padrões dos professores, técnicos e salariais, aí sim, estaremos empregando corretamente o dinheiro público.
É isso mesmo. Quando o prefeito decide solitariamente o emprego do dinheiro que do cidadão contribuinte, ele corre o risco de pagar sozinho pela medida, que teria de produzir efeitos realmente compensadores.
Pelo caminho do decreto, o prefeito está exposto a uma ação popular de interpretação que venha a lhe acarretar problemas.
O ensino público de base no Brasil, com exceções de praxe, está caindo aos pedaços. Precisa efetivamente de uma grande sacudida a fim de que possa se aproximar do ensino público superior, por sinal reservado a quem teve um bom segundo grau, geralmente em escolas particulares. Aí está o resultado da prova da OAB. Só três faculdades (todas públicas) tiveram mais de 50% de aprovação para receber a carteirinha de advogado: UERJ, de longe a melhor, UNI-Rio e UFF.
E seus alunos não ganharam prêmios por isso. Antes, como no caso da UERJ, tiveram condições reais de aprendizado, graças à capacidade de gestão autônoma de seus diretores.
Como o prefeito César Maia já demonstrou lucidez na hora de reavaliar seus atos, exemplo de um recente decreto sobre ISS, espero que ouça mais a sociedade, antes de pôr sua proposta de presentear os melhores em vigor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

UM OLHAR MAIS HUMANO SOBRE O CAMELÔ

“Os camelôs estão prestando um papel cultural muito grande ao cinema”. Faz sentido a polêmica declaração do escritor e roteirista José Louzeiro. Calma, não se trata de nesse nosso espaço defender a pirataria: a venda de produtos piratas é crime, mas bem menor do que aquele cometido por quem produz em larga em escala todo o tipo de produtos piratas.
Mas é inegável que foi a venda ilegal que acabou dando ao filme “Tropa de Elite” uma atenção que não teria se fosse exibido apenas nas salas de cinema: ir ao cinema ainda é uma diversão cultural longe do alcance da maioria da população que não pode pagar o preço do ingresso. Além do mais os filmes nacionais lutam – e não é de hoje – para conquistar espaço de exibição, espaços geralmente dominados por filmes estrangeiros, principalmente americanos. Mas esse já é outro assu
Sou contra a pirataria e a venda de produtos contrabandeados, repito, Mas é preciso legalizar os ambulantes para ter direito de fiscalizá-los e puni-los. Eles têm muito o que vender, dentro da lei.
Não é de hoje que os camelôs são tratados como marginais, embora estejam apenas tentando trabalhar. O elevado número de camelôs nas ruas do Rio (o Rio ocupa uma área de 43.696,054 quilômetros quadrados, ou seja, tem espaço pra todo mundo) e em todo o país é reflexo dos crescimento alarmante do desemprego.
Embora trabalhe muito, enfrentando sacrifícios, desconforto, chuva e sol, o ambulante não está empregado: exerce um subemprego na busca de ganhar o pão de cada dia. Uma das reclamações mais comuns é a de que os camelôs ocupam calçadas impedindo a circulação de pedestres. Ora, não teria sentido montar bancas de venda onde não passa ninguém.
É preciso deixar claro que nem todos os ambulantes vendem produtos falsificados, pirateados. Mesmo assim todos sofrem constantes perseguições. Os ambulantes garantem que “quem cria a confusão nas ruas é o governo do Estado e a prefeitura já que os interesses dos trabalhadores informais é o de todos poderem exercer suas funções com tranqulidade”.
A questão dos camelôs merece mais atenção e mais estudos em busca de uma solução que atenda aos que buscam trabalhar e a população que gosta de comprar com a facilidade que os camelôs proporcionam.

JOVENS DE CARA COM O DESEMPREGO

Qual a perspectiva de nossa juventude nos dias de hoje? Outro dia, escrevi aqui mesmo sobre a redução das oportunidades de emprego em todos os níveis para os que saem à cata do primeiro emprego. Falava de estatísticas na América Latina.
Hoje, deparo-me com uma tragédia ainda maior, quando os números se referem especificamente ao Brasil. Foi pensando nesse abismo que fui fazer uma palestra para os jovens da Juventude Socialista do PDT, em sua quase totalidade, moradores em comunidades de baixa renda.
Estou realmente boquiaberto com a constatação de que o desemprego mostra sua face mais perversa entre os jovens de 16 a 24 anos, cuja taxa de desocupação é quase duas vezes maior do que para a população em geral.
Incrível! Nos dias de hoje, em que os desafios sociais são cada vez mais gritantes, levantamento do DIEESE – Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos - concluiu que os grandes centros urbanos, 46,4% do total de desempregados é formada por pessoas de 16 a 24 anos. O estudo mostra que a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas para essa faixa etária se aproxima de 34%, enquanto que é de 19% para as pessoas acima de 24 anos.
O baixo crescimento da economia está por trás dos números,
segundo o Dieese. "O baixo crescimento da atividade econômica brasileira nos últimos anos tem efeito importante ao limitar o ritmo de geração de emprego", diz a pesquisa.
No caso dos jovens, há um agravante: a inexperiência e a baixa escolaridade de muitos candidatos ao mercado de trabalho.
"Já há uma escassez do ponto de vista da oferta de trabalho e no caso do jovem, a inexperiência tem um papel fundamental", afirma o supervisor do escritório São Paulo do Dieese, José Silvestre.
Segundo a pesquisa, o desemprego entre os jovens entre 16 a 24 anos chega a ser duas vezes superior ao registrado pelos desempregados em geral em praticamente todas as capitais.
O caso mais grave ocorre em Salvador, onde 42,8% dos jovens entre 16 e 24 anos estão desempregados. Já o desemprego para pessoas acima de 24 anos corresponde a 25,3%.
Em São Paulo, 32,6% dos jovens estão sem emprego enquanto que 18% estão na mesma condição com idade acima de 24 anos.
Enquanto isso, o Ministério do Trabalho esbarra na burocracia, apesar do esforço do seu ministro para tentar implantar programas de qualificação entre os jovens, cada dia mais sem esperança.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O JOVEM PAÍS DOS MAIS VELHOS

O Brasil é um país jovem, mas não é mais um país só de jovens: a população de idosos já representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 ou mais anos, o que significa 8,6% da população. O rendimento médio de R$ 657,00 faz com que o idoso ocupe, cada vez mais, um papel de destaque na sociedade brasileira. Recente pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmou que a tendência de envelhecimento populacional no Brasil está persistindo e o Rio de Janeiro é a capital que abriga o maior número de idosos com 12,8% da população.
Portanto, vamos abrir os olhos para a necessidade de olhar mais e melhor para nossos velhos já que nos próximos 20 anos a população idosa no Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas, representando 13% da população. As pesquisas alertam que a proporção de idosos vem crescendo mais rapidamente que a proporção de crianças. Esse não é um retrato envelhecido apenas do Brasil: segundo a Organização Mundial de Saúde em 2025 haverá, pela primeira vez na história, mais idosos do que crianças no planeta e aqui a 20 anos o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de idosos.
Os dados não significam apenas mais números: refletem a cada vez maior necessidade do país olhar, através de seus governantes, para o desenvolvimento e aceleração de programas especiais de atendimento aos idosos com justiça previdenciária, já que até agora a população idosa vem perdendo direitos e ganhando menos, quando suas despesas aumentam forçosamente. Mais: que permitam aos vovôs continuar contribuindo no sustento de suas famílias que muitas vezes dependem única e exclusivamente das minguadas aposentadorias que sobram para os idosos.
Minha preocupação com os idosos não é de agora: há anos desenvolvo trabalho de incentivo e assistência cultural e de lazer ao Grupo de Terceira Idade no Jacarezinho. É urgente que o governo elabore políticas sociais que preparem a sociedade para conviver e entender a nova realidade populacional do país. A criação do Estatuto do Idoso é pouca coisa: é de fundamental importância que se dê à população de Terceira Idade tenha uma renda digna e acesso à saúde, justiça cultura e.sexualidade. No auditório da Câmara Municipal estaremos recebendo grupos da Terceira Idade para uma tarde de cultura e lazer com palestra e exibição do filme “Chuvas de Verão”, dirigido por Cacá Diegues.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

ENFIM, UMA AUTORIDADE NO JACAREZINHO

Enfim, uma autoridade do governo estadual foi ao Jacarezinho ouvir suas lideranças. Falo assim porque já não era sem tempo. Até agora os moradores daquela comunidade, que já foi o celeiro da mão de obra do outrora segundo pólo industrial da cidade, só sabia do governo do Estado pela presença nem sempre feliz das polícias militar e civil.
Coube ao subsecretário de Governo, Rodrigo Bethlem, tal façanha. À convite da Associação de Moradores e do Movimento pela paz, Bethlem ouviu as reivindicações apresentadas e se comprometeu a agilizar as respostas.
O Jacarezinho precisava mesmo de uma presença pacífica do governo estadual. Embora seja a segunda maior favela do Rio de Janeiro (não falo dos complexos), com mais de 70 anos de existência e uma população esclarecida, toda vez que algum governante fala em um programa social, seus moradores são inexplicavelmente esquecidos.
Há planos mirabolantes para a Rocinha, Complexo do Alemão e Manguinhos. No Complexo da Maré, inauguraram a Unidade de Atendimento Pré-Hospitalar. Por que não se fala no Jacarezinho, onde há promessas e serviços feitos pela metade?
É isso mesmo. Desde de fevereiro está pronto o castelo d`água, de 250 mil litros, construído pela Prefeitura dentro do programa Favela-Bairro, que levei para o Jacarezinho em 1995.
Para que essa obra fosse feita, tivemos muito trabalho, uma vez que foi preciso demolir várias casas no alto do morro, na parte chamada poeticamente de “Azul”.
A obra também levou muito tempo, mas, enfim, no início deste ano, era dada por concluída. O que falta agora? Simplesmente que a CEDAE assuma as ligações, puxando a água e sistematizando sua distribuição. No entanto, não sei porque cargas d`água, até hoje nada foi feito pelo Governo do Estado.
Há mais de cinco anos que venho incluindo no orçamento municipal dotações para a construção da vila olímpica, em terreno que a GE está disposta a liberar. Se você não sabe, Romário, um dos maiores craques de nosso futebol, nasceu no Jacarezinho e lá foi batizado pelo padre Nelson.
Sai ano, entra ano e nada. Os moradores de lá ficam sabendo pela imprensa de construções em outras comunidades menores e com menor tradição esportiva. Lá, eles próprios fizeram alguns campos de futebol e hoje só resta o do Abóbora.
Há também a reivindicação, com terreno já disponibilizado, para a inadiável implantação do Posto de Saúde 24 horas. De frente para a Avenida “Suburbana”, esse equipamento serviria também para todo o entorno.
Enfim, só espero que Bethlem tenha condições de levar para o Jacarezinho algo diferente do “caveirão”.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A GENTE TEM FOME DE LER

É costume dizer, até com certo tom de deboche, que o povão só gosta de futebol e carnaval. Gosta, sim: são as duas únicas e maravilhosas manifestações culturais capazes de reunir e entusiasmar a massa. Mas não é só: quando que lhe é dada oportunidade, a população de todas as classes sociais nos surpreende com seu quase sempre esquecido interesse. Como surpreendeu agora durante a 11ª Bienal do Livro, no Riocentro. Exatas 560 mil pessoas passearam entre os estandes que ofereciam a possibilidade de ”viajar” pela obras de diversos autores.
Como afirmou Paulo Rocco, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livro, “um grande espetáculo” com um aumento de 70% também na venda de livros. Entre o mais de meio milhão de visitantes lá estavam 200 mil estudantes, 35 mil professores e 30 mil pessoas acima de 60 anos, entre muitas outras. Editores e escritores estão otimistas e não é para menos: 77% das pessoas que compareceram à Bienal compraram livros, o que representa um aumento de 11% em relação ao ano passado, mostrando que a população também tem fome de cultura.
Os números são significativos. Mais do que o sucesso de um evento mostra a necessidade de oferecer ao povo maiores oportunidades de leitura. Recente pesquisa revelou que as livrarias estão saindo do mercado e muitas pequenas cidades possuem apenas uma (ou nenhuma) biblioteca. Sou autor de sete livros (os mais recentes podem ser adquiridos através do site www.palanquelivre.com) e sei não só do prazer e da importância de escrever e ler. Ler muito e cada vez mais.
Há ainda os que defendem a absurda tese de que “o Brasil é um país de analfabetos” e por isso que a literatura não faz tanto sucesso. Faz, sim, e a Bienal mostrou isso e sinalizou que é hora de ampliar o número de bibliotecas e dar ao povão acesso aos livros, inclusive os escolares. Não seria inviável organizar uma biblioteca (pequena que seja) em cada comunidade carente. Essa é uma maneira de orientar os jovens, alegrar os idosos e oferecer a possibilidade de aprender para depois, quem sabe, ensinar.
O povo quer ler o que ficou claro também no exemplo de um pedreiro que foi reunindo velhos livros em sua modesta moradia, transformada rapidamente em uma “casa de consultas frequentada por jovens estudantes que buscam, com apetite, nos livros ensinamentos de vida, sonhos e possibilidade de viajar no tempo e na imaginação. A Bienal mostrou uma tendência de crescimento no mercado literário. Portanto, nunca é tarde de matar a fome de leitura do povo. Essa é uma maneira de ajudar a matar todos os tipos de fome. Com urgência.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A PM ENTRE BONS E MAUS POLICIAIS

“O senhor está preso por tentativa de suborno” – a ordem de prisão dada por um policial militar foi parte de recente cena da novela Paraíso Tropical quando o empresário Antenor Cavalcante (Tony Ramos) tentou resolver um problema. O empresário da novela comportou-se da forma que parece ser a usual quando os bem sucedidos tentam impor o poder do dinheiro.
O policial honesto que a novela retratou não é apenas um personagem de ficção. A vida real está repleta de policiais que dignificam a farda. O recado transmitido pela novela pode ter perdido sua força com a notícia dois dias após a exibição da cena da prisão de 52 policiais militares, a maioria do 15º Batalhão de Duque de Caxias, acusados de envolvimento com o tráfico de drogas. No mesmo momento em que os policiais criminosos eram detidos, estavam sendo presos também sete traficantes da mesma Duque de Caxias em operação policial que nos mostra, enfim, que cadeia é para qualquer tipo de marginal. Até os que usam farda.
A prisão de policiais poderia afetar a credibilidade de todos os 38 mil policiais militares que prestam serviços nos 39 batalhões instalados no Estado do Rio, mas isso não acontecerá simplesmente porque não se pode generalizar. A Polícia Militar não é composta só de maus servidores. Pelo contrário: a maioria da corporação é de homens que sabem prestar à população segurança e tranqüilidade sem enveredar pelo chamado mu caminho.
Não tenho dúvidas de que essa maioria aplaude com entusiasmo, como faz toda a população, a prisão e o possível afastamento não só dos 52 policiais agora presos, mas também de todo aquele que não souber realizar sua função com honestidade. A operação que levou a essas prisões (e certamente levará a outras) pode ser vista, como lembrou o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, como uma homenagem aos bons policiais – aqueles que, como toda a população, querem uma polícia limpa e, portanto, com credibilidade. Afastar os maus policiais é abrir caminho para outras conquistas ao reconhecimento dos bons. A Polícia Militar, criada em 13 de maio de 1809 pelo Príncipe Regente D.João VI como Divisão da GUARDA Real de Polícia da Corte com apenas 248 guardas marchou altiva e heróica pela história. A Polícia Militar foi a única presente durante a Proclamação da República no dia 15 de novembro de 1898.
Afastar os maus policiais dessa histórica corporação é abrir fileiras tiras para que possam desfilar sob o aplauso do povo, os fardados homens de bem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

JACAREZINHO À ESPERA DO MINISTRO

Na sexta-feira, dia 14, os moradores do Jacarezinho esperavam a visita do ministro das Cidades, Márcio Fortes, uma das autoridades que estavam no trem atacado quando passava pela comunidade.
Ele havia sido convidado pelo presidente da Associação de Moradores, Edvaldo Silva Oliveira, que queria demonstrar a verdadeira natureza daqueles milhares de cidadãos excluídos, aproveitando para formular algumas reivindicações junto a uma autoridade federal.
O ministro agendara a visita para as 9 horas daquele dia. No entanto, à noite, mandara avisar da impossibilidade de realizá-la, conforme o combinado, devido a problemas na agenda. Ele não pôde ir ao Jacarezinho, mas, duas horas depois, estava no Palácio Guanabara, em reunião com o governador Sérgio Cabral.
Isso, porém, não desanimou os líderes da comunidade. Vado, como é tratado carinhosamente o presidente da associação, foi até o Palácio e obteve a promessa de uma nova agenda.
O que parece ter dificultado a visita foi a garantia de que o ministro não precisaria de segurança policial para visitar a comunidade. Ele, que é carioca, optou por essa visita sem aparato policial de cobertura, mas provavelmente as autoridades da área insistiram em apontar riscos.
De qualquer forma, a simples intenção do ministro Márcio Fortes já mudou um pouco o discurso oficial em relação ao Jacarezinho. Eu mesmo posso garantir, pelos 25 anos de convivência com a comunidade de quase 70 mil moradores, que ninguém será molestado no exercício de uma obrigação: conhecer de perto problemas que se acumulam e que só são vistos em anos eleitorais.
Aliás, neste sábado, estive pessoalmente no Jacarezinho e no conjunto onde foram reassentadas pela Prefeitura 96 famílias retiradas da beira da linha fé
Fiquei sabendo que até hoje a CEDAE ainda não agiu para pôr em funcionamento a caixa dágua com capacidade de 250 mil litros, construída pela Prefeitura dentro do projeto favela-bairro, pelo qual tanto briguei. O verão está chegando e já hoje está faltando água até na Praça da Concórdia, onde nunca isso ocorreu antes.
Da mesma forma, a Casa da Paz, um projeto que tinha dado certo, ainda não foi reativada. Ela recebia mais de 500 pessoas por dia e incluía cursos de qualificação de jovens. Agora, a expectativa dos moradores é um café da manhã na Igreja católica, com a presença do subsecretário de Governo do Estado, Rodrigo Bethlem. Está mesmo na hora do poder público apresentar novos protagonistas àquela comunidade proletária.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

UM VÔO PARA SER RECORDADO

Agora em outubro serão completados 50 anos do Spunik, o primeiro artefato feito pelo homem e lançado ao espaço pelos russos. Pode parecer estranho que nesse cantinho no qual mantemos uma conversa diária sobre assuntos ligados a política nacional e aos acontecimentos que mobilizam a cidade, o Sputnik seja o tema de hoje. Não é não: a importância do pioneiro lançamento do Sputnik está ligado a todas as conquistas e estudos que permitiram maior conhecimento sobre o espaço com a abertura do cosmos para o homem.
Há 50 anos parecia filme de ficção imaginar que pudéssemos chegar tão longe: o Sputnik abriu uma nova estrada para a humanidade possibilitando que outros satélites fossem buscar mais informações que permitiram outros lançamentos espaciais e estudos.
O Sputnik foi o resultado do trabalho do professor russo Konstantin Eduardovitch Tsiolkovsky que em 1934 apresentou estudos completos sobre os princípios matemáticos do vôo espacial à Academia de Ciências Soviéticas, mas somente no dia 4 de outubro de 1957, às 8 horas da manhã, um imenso foguete de 3 estágios que carregava no seu topo uma esfera de 58 cm e 83 kg com 2 pares de antenas flexíveis de 2,4 m e 2,9m se fez realidade iniciando uma importante corrida espacial. Daí em diante foram lançados 10 Sputniks: O Sputnik I transmitiu um sinal de rádio (o beep) que podia ser sintonizado por qualquer rádio-amador, mas foi no Sputnik II, lançado em 3 de novembro de 1957, que o primeiro ser vivo chegou ao espaço. Vai me dizer que você não lembra da cadela da raça laika, chamada Kudriavka, que teve dados biológicos monitorados durante uma semana.
É a importância do caminho de conhecimento aberto pelo Sputnik que precisa ser sinalizado para se conheça mais sobre a importância do Sputnik. Por isso no dia 4 de outubro estou realizando no Salão Nobre da Câmara Municipal evento com palestra do físico Marcomede Rangel, que também ensinará a construir um modelo em escala para ser exposto. Nossos estudantes precisam conhecer mais o que já foi conquistado e o que ainda será. Aqui e no espaço.

OS JOVENS E A GRAVIDEZ INDESEJADA

Sem essa de bairrismo: os bons exemplos devem ser um incentivo para todos, venham de onde vierem. É de São Paulo que chega uma animadora informação: a da redução de 32% nos índices de gravidez na adolescência. A gravidez na adolescência nunca é demais lembrar é apontada como um grave problema social. Estudos da Organização Panamericana de Saúde atribuem o aumento do número de filhos de mães menores de 20 anos ao fato de que “o conhecimento sobre a relação sexual livre se difunde mais rapidamente entre os adolescentes, que o conhecimento sobre os efeitos biológicos e psicológicos adversos na gravidez nessa idade, tanto para a mãe quanto para o filho”.
Pesquisas mostram que no Brasil é na classe social mais pobre que se encontram os maiores índices de fecundidade na população adolescente (26%c das adolescentes entre 15 e 19 anos tiveram filhos, enquanto nas classes de renda mais elevada o índice foi somente de 2,3). Estima-se que no Brasil de 20% a 25% do total de mulheres gestantes sejam adolescentes: há uma gestante adolescente em cada cinco mulheres. Fica clara a necessidade de incentivar programas (muitos existem, mas será que saíram do papel?) de educação e prevenção, além de um adequado atendimento médico às jovens e desorientadas pacientes. Estudos revelam ainda que a gravidez na adolescência é normalmente indesejada e acaba influenciando diretamente na vida das meninas que por causa da gravidez, acabam deixando a escola”. Pesquisas confirmam também que as complicações obstétricas ocorrem em maior proporção nas adolescentes, principalmente as de faixa etária mais baixa. São problemas de saúde que como anemia, ganho de peso insuficiente, hipertensão, infecção urinária e muitas outras causadas pela absoluta falta atendimento pré-natal adequado. Portanto, cuidar, com programas de esclarecimento e prevenção se faz urgente, especialmente quando se sabe que na maioria das vezes as meninas engravidam sem querer. A gravidez na adolescência é um problema de vida. De duas vidas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O ATAQUE AO TREM NO JACAREZINHO (II)

Como eu disse ontem, esses desatinados disparos contra o trem em frente ao Jacarezinho é um desses absurdos que não tem lógica e pode ter sido obra, inclusive, de quem não mora ali.
Essa é a opinião da Associação de Moradores e de outras 11 entidades que travam a difícil batalha de reconhecimento da cidadania de sua gente. Tanto que o presidente da associação, Edvaldo Silva Oliveira, fez questão de se dirigir aos ministros que estavam no trem, convidando-os para uma visita, em que serão recebidos com o respeito devido a toda autoridade.
Neste sentido, uma nota assinada por várias entidades deixa claro: “A Associação de Moradores vem a público esclarecer que a comunidade do Jacarezinho acredita que este ato pode ter partido de pessoas de fora da comunidade, que tenham a intenção de desarticular os projetos sociais que há muito a comunidade vem buscando.
Pois a comunidade em seu cotidiano tem a presença constante de autoridades como vereadores Paulo Cerry, Pedro Porfírio, Nelson Ferreira, deputados federais Jorge Bittar e Edson Santos.
Gostaríamos de pedir desculpas aos ministros das Cidades e dos Portos, e a todos os envolvidos no incidente, e convidar a todos a uma visita na comunidade. “Este momento poderia ser de uma grande ação social dos governos e de todas as esferas para esta comunidade tão excluída”.
O documento é assinado pela Associação de Moradores do Jacarezinho, ONG Novo Horizonte, Centro Cultural Herança Negra, ONG Viva Jacarezinho, Escola de Samba Unidos do Jacarezinho, Associação dos Moradores da Comunidade do Tancredo Neves. Igrejas Evangélicas, ONG Educação, Cultura e Cidadania, Igreja Católica Nossa Senhora Auxiliadora, ONG Saúde e Cidadania, Rádio Comunitária 99,3 FM, jornal comunitário “Porta-Voz”, comerciantes e moradores.
Faço questão de transcrever esse documento porque ninguém melhor do que essas entidades para falar do sentimento de uma gente trabalhadora, que vive ali há quase 70 anos e ali se instalou ao redor do então segundo maior parque metalúrgico da cidade do Rio de Janeiro.
Espero que esse incidente seja devidamente investigado e não objeto de ações de represálias contra quem não tem nada ver com ele. Eu próprio tenho minhas razões para acreditar que havia interesse em abafar o assassinato cruel de um líder comunitário de Brás de Pina, que denunciou a extorsão de que foi vítima, nas mãos de alguns maus policiais das chamadas “milícias”.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O ATAQUE AO TREM NO JACAREZINHO (I)

O lamentável ataque a trem de autoridades quando passava pela comunidade do Jacarezinho ainda levará tempo para ser devidamente esclarecido. A única coisa que parece clara é que quem mais saiu perdendo foram os moradores, que, como pode testemunhar a concessionária Supervia, mantêm uma relação civilizada com seu pessoal.
Há várias versões, das quais a mais lógica foi a apresentada ontem na matéria de Gisele Santana, aqui, no POVO. No caso, um repórter teria fotografado de dentro do trem um traficante armado e este teria reagido, junto com outros, como tem acontecido em várias operações policiais ali.
Pelo que conheço de favelas e, em especial do Jacarezinho, também acredito que esse tipo de disparos gratuitos, a pretexto de mostrar força ou até mesmo com o objetivo de fazer vítimas, não é nada comum. Antes. Pelo contrário.
A Supervia, concessionária dos trens urbanos do Rio de Janeiro, mantém uma relação direta com a Associação de Moradores, empregando algumas pessoas da própria comunidade no controle da passagem de nível, junto à estação de Vieira Fazenda.
Essa relação, ao contrário do que tenta explorar um certo setor da mídia, tem tido resultados positivos, sobretudo em relação ao acesso à estação e á proteção de vidas. O trem passa pela principal via de acesso, chamada de Prainha, por onde transitam milhares de moradores, inclusive crianças e idosos, bem como veículos que vão e vêm da Avenida Dom Helder Câmara.
A necessidade de reduzir a velocidade ali salta à vista, independente de qualquer pressão. Esse acesso, que vai dar na rua Comandante Gracindo de Sá, e ao centro comercial da Amaro Rangel, é usado com muita freqüência por veículos em dois sentidos. Não raro, há engarrafamentos que às vezes mantém carros sobre os trilhos.
A ferrovia, há muitos anos, mantém um sistema de alarme avisando com antecedência a aproximação de uma composição. Mas às vezes ela demora tanto que muitos atravessam mesmo com o alarme ligado.
É por isso que você pode ver na passagem de nível pessoas usando colete da empresa e orientando transeuntes e veículos. Essas pessoas são da própria comunidade e prestam serviços à empresa com o apoio da Associação de Moradores.
Não interessa a ninguém do Jacarezinho, absolutamente a ninguém, romper esse clima de cooperação, que garante uma estação de trem praticamente dentro da comunidade. Voltarei ao assunto.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

A SOBREVIDA A QUALQUER PREÇO

Como hoje as atenções do país se voltam para a Brasília, onde o Senado decidirá se mantém o mandato de seu presidente, acusado por todos os lados, faço questão de repetir o que escrevi há exatamente um mês. Veja o que há quarenta dias eu já dizia:
Nós bem que merecíamos mais respeito. Essa novela que envolve o sr. Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, só não chega ao fim com a cassação do seu mandato porque aquela turma de Brasília não está nem aí para o que pensa o povo.
E, como se todos nós fôssemos dotados de um nível de tolerância sem limites, como se nenhum de nós déssemos qualquer importância aos destinos do país, vão empurrando cada crise com a barriga, à espera de que uma outra que ponha as demais debaixo do tapete.
Onde eles querem chegar, todo mundo sabe. O senador alagoano já mostrou que não pretende cair sozinho. Por mais de uma vez, deixou claro que não é o único pecador. E que, ao contrário de outros, vai usar do que sabe para manter-se no cargo e no mandato, sem os quais acha que ficará mais exposto, pois perderá a blindagem dessa absurda imunidade parlamentar.
Enquanto ele paralisa o Senado com a encenação de sua novela, a política vai descendo ladeira abaixo. A cada semana, aparece mais uma denúncia contra ele, cada uma mais braba do que a outra.
E o pior: não sei porque cargas dágua, o pessoal do governo ainda não se convenceu que comete uma perigosa imprudência, ao se colocar do seu lado, procurando um jeito qualquer de livrar sua cara.
É preciso ser muito míope para tentar garantir ainda alguma sobrevida a ele. Renan já é investigado Conselho de Ética do Senado por suspeitas de pagar pensão à ex-amante Mônica Veloso, com quem tem uma filha, com dinheiro de uma empreiteira; e por suposto uso do cargo para beneficiar a cervejaria Schincariol em relação ao fisco. A empresa, em troca, teria concordado com m preço superfaturado na compra de uma fábrica de refrigerantes da família Calheiros em Alagoas. Outra denúncia pode chegar ao conselho, se a Mesa Diretora acatar o pedido de investigação protocolado pelo DEM. Segundo Veja, Renan teria usado laranjas para comprar duas rádios em seu Estado, com dinheiro não declarado à Receita.
Não será novidade se aparecerem mais acusações. Talvez seja por saber disso, que exagerou na dose no uso e abuso de suas credenciais para tirar proveito, que ele prefere desafiar o país e pagar para ver, não importa o preço para a própria instituição legislativa. Com que moeda, esse é o problema.

A BANALIZAÇÃO DA MORTE

Desculpe, mas este 11 de setembro me leva a uma reflexão sobre um dos faltos mais preocupantes de nossos dias – a banalização da morte entre nós.
Refiro-me ao 11 de setembro por conta de dois acontecimentos trágicos que causaram muitas mortes e tiveram grandes repercussões no mundo.
Em 1973, liderados pelo general Pinochet, militares golpistas derrubaram o governo constitucional do presidente Salvador Allende, provocando uma grande matança, que incluiu o bombardeio do palácio presidencial, onde o chefe do governo foi morto com vários de seus colaboradores.
Em 2001, dois grandes aviões comerciais seqüestrados por suicidas do grupo de Bin Laden derrubaram as chamadas torres gêmeas dos Estados Unidos, provocando um total de 3234 mortos, no mais audacioso ataque já realizado em território norte-americano, desde 1812.
Aqui, não há notícias de morticínios com tantas vítimas. No entanto, a crônica de todos os dias é pautada pela sucessão de assassinatos, numa espécie de sinfonia macabra cada vez mais aterrorizante.
Um carro que entra por engano numa favela é metralhado por bandidos; um líder comunitário é morto de forma perversa depois de denunciar PMs de uma “milícia”; jovens, traficantes ou não, são mortos em grupos pela polícia, em operações violentas. E você, cada vez que sai de casa, vive o medo da bala perdida, de um assalto seguido de morte.
Esses acontecimentos trágicos não são privilégios da cidade do Rio de Janeiro. É certo que os bandidos, cada vez mais jovens, cometem crimes revoltantes. Mas a polícia não fica atrás. Um relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos revela que as polícias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais mataram quase cinco vezes mais civis do que todas as polícias de todos os estados norte-americanos juntas.
Os números são deprimentes: O Brasil possui um dos indicadores mais altos de violência letal do mundo, com 50 mil homicídios por ano e uma taxa de 28,5 homicídios por cada 100 mil habitantes. Para dar uma noção comparativa basta lembrar que países da Europa Ocidental têm taxas inferiores a 3 mortes intencionais por 100 mil habitantes e os Estados Unidos encontram-se na faixa de 5 a 6 mortes intencionais por 100 mil habitantes. O Brasil passou de 11,7 homicídios por 100 mil habitantes, em 1980, para 28,5 pelos mesmos 100 mil, em 2002, mais do que triplicando a taxa de violência letal e somando quase 700 mil pessoas mortas nesses 23 anos.
Voltarei ao assunto.

O PROBLEMA DA GM NÃO É DENTÁRIO

A Prefeitura não aceita entre os candidatos ao concurso para a Guarda Municipal inscrições daqueles que tenham menos de 20 dentes na boca. Se fosse esse o problema... Não é de hoje que a Prefeitura do Rio nega aos guardas municipais o principal: ainda os mantém como celetistas e não servidores públicos, como deveriam ser. Há anos estou empenhado na luta para que se corrija essa distorção.
Só para relembrar: a Guarda Municipal do Rio tem como pessoa jurídica a Empresa Municipal de Vigilância. Nossa Guarda é formada por profissionais concursados, muitos com nível superior, que podem desempenhar um papel muito mais proveitoso para a cidade se forem tratados como é da lógica constitucional, com deveres, responsabilidades, a segurança e os direitos de um servidor público estatutário.
O que tem sido dado é um tratamento discriminatório que perdura até hoje como resultado uma postura intransigente: a nossa é a única Guarda Municipal do país gerida por uma empresa. Para acabar com esse tratamento apresentei, em 2003, o Projeto de Emenda No 17/2003 à Lei Orgânica. A emenda transforma os guardas municipais em servidores públicos. No entanto, não se respeitou o ato legislativo que transformou os guardas em servidores estatutários, transferindo sua gestão para a administração direta, embora minha emenda tenha sido aprovada por 38 a 0. A prefeitura argüiu inconstitucionalidade e seu recurso foi julgado no Tribunal de Justiça em 2005 quando eu estava afastado da Câmara Municipal.
Mesmo sem oferecer e reconhecer o que a Guarda Municipal tem direito a Prefeitura apresenta essa novidade, numa exigência estranha, como diz Eduardo Moiolo, presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas: ”A medida adotada no edital de contratação dos futuros guardas é um absurdo e um ato de exclusão social”. Em relação à quantidade de dentes a serem exibidos, é preciso levar em conta que, segundo as estatísticas, 16% de brasileiros (27,9 milhões de pessoas) nunca foram ao dentista, 20% da população já perdeu todos os dentes e 45% do povo não têm acesso regular a escova de dente. Assim, foge-se do principal: o concurso é para guardas (servidores públicos) ou para vigilantes (celetistas da EMV)?

INDEPENDÊNCIA DE VERDADE

As comemorações do 7 de Setembro mostraram que o povo parece hoje mais preocupado com a verdadeira independência, com uma mudança de verdade que nos tire dessa situação de país atrelado a uma grande potência, com sua vida econômica condicionada pelos humores dos poderosos, especialmente dos especuladores das bolsas e os grandes bancos.
As manifestações do “Grito dos Excluídos” ecoaram em todas as grandes cidades do Brasil, especialmente em Aparecida do Norte, onde 100 mil pessoas se uniram para pedir uma revisão de tudo o que se fez até agora, principalmente essas privatizações, que foram verdadeiras doações de lucrativas empresas do Estado, como a Vale do Rio Doce, criada por Getúlio Vargas.
Desde o primeiro dia do mês, mais de sessenta organizações realizam um plebiscito sobre a escandalosa privatização dessa companhia, responsável pela exploração do nosso minério, que foi a leilão em 1967 por 3 bilhões e meio de reais, quando seu patrimônio era avaliado por baixo em 98 bilhões.
Os organizadores desse plebiscito vão entregar seu resultado em outubro às autoridades federais. É importante lembrar que o próprio Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula, também quer oficialmente a revisão desse “negócio da China”, que só trouxe prejuízos para os cofres públicos. O dinheiro perdido com essa “doação” é muitas vezes maior do que tudo o que foi usado para ganhar apoio dos políticos, como esse caso do “mensalão”.
Dentro dessa disposição de luta do povo, acho oportuno fazer uma pergunta a você: podemos dizer que o nosso país é realmente independente?
É independente uma nação cujas riquezas estratégicas foram ou ainda estão saindo do controle efetivo do Estado, em proveito de grupos econômicos que só visam o lucro imediato, fácil e a qualquer preço?
Ou você acha um bom negócio essa farra com nossos minérios, a sub-reptícia internacionalização da Amazônia, o leilão de nossas bacias petrolíferas, a privatização de serviços essenciais, como a energia elétrica e as comunicações e, como corolário de tudo isso, a sujeição de nossa economia ao capital especulativo multinacional?
A proclamação da Independência, que já foi um ato oportunista do próprio herdeiro da coroa portuguesa, engendrou na nação nascente o DNA do pecado original. O Brasil paga o preço dessa falsa independência até hoje. Daí o sentimento que começa a ganhar corpo entre os cidadãos brasileiros.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

JOVENS SEM EMPREGO E SEM FUTURO

É comum ouvir dizer que “a garotada de hoje não quer nada com o trabalho”. Não é bem assim: a juventude quer, sim, trabalhar, mas falta-lhe oportunidade, emprego decente. Recente pesquisa da Organização Internacional do trabalho revela números preocupantes e assustadores: um em cada cinco jovens da América Latina e Caribe não trabalha porque não há emprego. Isso equivale a 22 milhões de pessoas que estão começando a vida sem direito a uma oportunidade.
O resultado é que os jovens desempregados acabam obrigados a exercerem atividades não recomendáveis ou atividades informais que não oferecem muito financeiramente e menos ainda em perspectivas de avanço profissional e social. Além de criar uma situação indesejável essa falta de trabalho nos mostra uma vez mais que é preciso criar e incentivar programas não só para capacitar a juventude, mas também e principalmente para lhes dar a chance de exercer funções para as quais, geralmente com sacrifício, se prepararam. Se até o jovem com bom estudo enfrenta a crueldade do mercado de trabalho, os que não estão, por falta de um mais adequado programa de educação, aptos ficar condenados a viver à margem da sociedade, como se fossem os restos uma nação. Um país como o Brasil não pode abrir mão da força de trabalho e do talento de sua juventude. Precisa não só preparar melhor a garotada, mas também estar consciente de que é fundamental que se criem oportunidades de trabalho. P\reparar os jovens para depois empurra-los de um lado para o outro, é jogar fora todo um esforço de educação, ainda que a nossa não seja a ideal.
Outra situação comum que também é a que oferece emprego exigindo ”experiência profissional” para a conquista da tão disputada vaga. É incoerência e falta de bom senso: como ter experiência se não há ofertas de trabalho? Jovens entre 15 e 24 anos estão abandonados sem programas que lhes possibilitem mostrar sua força de trabalho. Não basta uma esmola oficial para fingir que o problema está resolvido. Assim só se agrava.
É necessário com urgência buscar alternativas de trabalho decente para a juventude. O Brasil não pode continuar sendo o país do futuro. Tem que ser o país do presente. Já

UM ATENTADO ESCLARECEDOR

As primeiras declarações do delegado Alexandre Netto sobre o atentado de que foi vítima em Copacabana apontam para o que todo mundo já supunha: os mandantes do crime podem ser colegas graúdos e isso vai abrir uma nova discussão sobre as várias “bandas” do aparelho policial.
Ele apontou nominalmente como suspeitos três dos seus desafetos, os deputados Álvaro Lins, Marina Magessi e o ex-diretor do Instituto Médico Legal, Roger Ancillotti. E não ficou só nisso. Disse ainda que o atual chefe de Polícia, Gilberto Ribeiro, queria puni-lo em função do documento que encaminhou à Secretaria de Segurança, questionando o desvio de função do ex-diretor do Instituto Médico Legal (IML) Roger Ancillotti.
“Por trás disso existem pessoas poderosas, com interesses políticos. Tenho pena porque eles serão cobrados por terem feito um serviço malfeito. Nem voltaram para o ‘confere’ (ver se a vítima estava morta). Se não forem cobrados por quem patrocinou, serão pela Justiça” – fez questão de enfatizar.
O delegado confirmou que esteve na Polícia Federal para ratificar informações contra o grupo de policiais, ligados a Álvaro Lins, que teriam envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Ele contou ainda que, mês passado, discutiu asperamente com o ex-chefe na Alerj.
Independente de conflitos de ordem pessoal, o que o delegado da DAS tem a dizer é muito grave. É vasta a coleção de acusações contra certos policiais que estiveram à frente da instituição, principalmente partindo da Policia Federal. Alguns dos auxiliares íntimos do chefe de polícia, agora deputado, foram presos, pilhados em gravações comprometedoras.
Toda vez que se chega perto da verdade, que a opinião pública imagina a possibilidade de uma depuração moralizadora no aparelho policial aparece sempre uma turma de bombeiros e nada avança.
Isso se reflete com toda certeza na própria sociedade, que vai perdendo a confiança na sua polícia e tende a recorrer cada vez mais a seguranças privadas. Hoje, para cada policial militar há pelo menos 3 seguranças particulares.
O delegado Alexandre Netto não era o único visado por grupos da pesada. Ele, pelo que se diz, tem a maior coleção de desafetos. Mas alguns policiais que pretendem agir profissionalmente se consideram na mira dos maus colegas. E isso é uma ameaça que atinge a todos, policiais ou não.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

É ISSO QUE O FAVELADO PRECISA?

Ainda no antigo Distrito Federal, o então secretário de Turismo, Mário Saladini, teve uma idéia no mínimo extravagante: pintar os barracos dos morros para que, mudando sua aparência externa, esconder a miséria e a pobreza dos seus moradores. Á época, gravaram uma marchinha que foi muito cantada – a favela colorida, ironia da vida.
Hoje, parece que o espírito daquela época reencarnou sobre algumas autoridades. Enquanto o Jacarezinho espera há anos pela conclusão do novo sistema de abastecimento de água – o castelo com capacidade para 200 mil litros já está pronto – os jornais estampam os mais irônicos projetos, que custarão os olhos da cara, para embelezar nossos morros.
Anunciam com estardalhaço tais novidades sem perguntar aos moradores se é isso que eles querem. No projeto para o Morro do Alemão, proclamam como a grande novidade um tipo de casa que impede a “puxadinha”, isto é, a construção de cômodos para cima, onde, em geral, vão morar os filhos que se casam. No de Manguinhos, uma avenida arborizada, de fazer inveja à Barra da Tijuca. Na Rocinha, um parque e uma travessia decorativas, da lavra do maior arquiteto do mundo, Oscar Niemeyer. Isso, sem falar nos teleféricos que copiariam soluções adotadas em Medelin, na Colômbia.
Eu não acho que isso é luxo mais da conta para os moradores de nossas chamadas áreas carentes. Na minha visão, todos têm direito à beleza e aos avanços do progresso. Mas, como pau-de-arara que chegou muito cedo ao Rio de Janeiro, ex-secretário de Desenvolvimento Social, afirmo com todas as letras: se tivesse mesmo propósito de melhorar a qualidade de vida de nossas comunidades, as autoridades fariam o mesmo que adotamos quando implantamos na década de oitenta o “Projeto Mutirão”: cada obra era discutida em assembléia com os moradores interessados e, como aconteceu no Jacarezinho, nada se fazia PARA e sim COM os moradores.
Hoje, os moradores do Jacarezinho reclamam com justiça a conclusão do Favela-Bairro, que deveria incluir a Vila Olímpica no campo da GE e uma revisão completa da rede de esgotos. No entanto, nem o início do novo sistema de água está acontecendo, embora sua inauguração estivesse prevista desde fevereiro.
Enquanto isso, a única presença do poder público visível são as desastradas incursões da polícia, com seus “caveirões” , em horários que quase sempre fazem vítimas inteiramente inocentes.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

A PUNIÇÃO DO PROMOTOR

A população está convencida de que por aqui quase tudo costuma funcionar com dois pesos e duas medidas. Trocando em miúdos: os bacanas recebem sempre um tratamento diferente do que é dado aos pobres e marginalizados. Mas parece – e já não sem hora – que as coisas estão realmente começando a mudar. Primeiro foi o Supremo Tribunal Federal que foi implacável ao aceitar denúncias contra os deputados, ministros e outros mais envolvidos no escândalo do mensalão.
Agora é o Conselho Nacional do Ministério Público que também se manifesta e demonstra que sabe enxergar com isenção e à margem de qualquer influência corporativista. O Conselho, que exerce o “controle externo” do 14 mil promotores em atividade no país, revogou decisão que garantia a um réu confesso (o procurador Thales Ferri Schoedl, que matou a tiros um jovem de 23 anos) o retorno ao seu cargo, tal como havia decidido o Órgão Especial no Estado.
Seria mesmo um absurdo permitir que alguém que responde por um crime tivesse, por mais competente que possa ser, o direito de acusar ou simplesmente continuar acusando ou acompanhando o julgamento de quem quer que seja. O único julgamento que o promotor em questão está apto a acompanhar é seu próprio. E só como réu, situação a que estão expostos todos os brasileiros, independente de sua carteirinha.
Mais uma vez pesou a indignação popular: a população da cidade de Jales, em São Paulo, para onde o procurador estava sendo transferido protestou, movimentou-se, fez abaixo assinado, chamou atenção para as desastrosas conseqüências de tê-lo ali, em nome da Lei. Se o réu fosse um trabalhador qualquer certamente estaria rifado e sem qualquer possibilidade de trabalhar, de receber salário sem fazer nada como ainda está recebendo o procurador. Não há mais ambiente no Brasil para privilégios de espécie alguma. Ao contrário, quanto maior for o nível de formação e informação de que praticar um crime, um desvio de conduta, maior será a exigência da sociedade para a sua punição.
As autoridades da Justiça e do Ministério Público sabem disso. Daí a importância dos Conselhos Nacionais criados em boa hora, com a missão de coibir todo e qualquer abuso ou desvio de conduta de quem responde pela mais sagrada das missões, o exercício da Justiça, sem olhar aquém.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O RISCO NOS TRILHOS É REAL

Ainda nem engolimos os acidentes com os aviões da Gol e da TAM e somos amargamente surpreendidos com a colisão de trens em Nova Iguaçu com 8 vítima fatais e 101 feridos. O drama de pessoas procurando notícias e parentes em meio aos escombros parece coisa de cinema, mas infelizmente é uma realidade que se tem repetido com freqüência. Tudo bem que como a palavra define acidentes acontecem, mas podem ser evitados. Sempre que um desastre de grandes proporções ocupa as primeiras páginas dos jornais e espaço nobre na televisão, se coloca com clareza a necessidade de exigirmos melhor manutenção nos veículos, sejam terrestres, aéreos, marítimos ou ferroviários, que não podem ser só um bom, comércio: estão nos caminhos da vida (não da morte) para atender (atender bem) diariamente a milhões de usuários. A impressão que se tem é a de que os concessionários de transportes ferroviários estão mais preocupados em encher os bolsos com o dinheiro das passagens, que, aliás, custa mais caro do que atender com eficiência aos usuários. Quando a questão é a saúde a prevenção é o melhor remédio. Quando a utilização de transportes coletivos se impõe a solução está sem dúvida na manutenção dos veículos que carregam esse povo para cima e para baixo. O acidente em Nova Iguaçu não é o primeiro. A história dos acidentes ferroviários no Brasil registra várias colisões, uma delas em 1952, no bairro de Anchieta, aqui no Rio, com 90 mortos e 200 feridos. A recente colisão certamente poderia ter sido evitada se tivessem levados a sério sido levados a sério os alertas do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil para a necessidade de cuidar, ou seja, fazer investimentos, justamente no trecho em que ocorreu a colisão. Como se tratava de gastar (e não de ganhar) dinheiro Os trens circulam há mais de 200 anos. Quer dizer: já deu tempo de aprender que é preciso manter as ferrovias com segurança. Manutenção é fundamental. Inclusive e principalmente para manter a vida dos usuários. Custe o que custar.

A VERDADE SOBRE AS DROGAS

“O morro paga o preço, pois lá mora gente pobre. Tem muita gente grã-fina viciada, que são os grandes traficantes e que são os grandes consumidores. É preciso que a gente não pense que isso (drogas) é coisa de pobre”.
Palavras oportunas do presidente Lula. Não disse nada que a gente já não saiba, mas me deixou com a pulga atrás da orelha: se o presidente, o comandante de todas as forças policiais e militares, sabe aonde se escondem os maiores donos e consumidores das drogas, por que eles não estão presos? Por que será que a policia continua apenas invadindo favelas, no morro ou no asfalto, em busca de uma rapaziada que funciona apenas como uma espécie de camelôs do pó? É preciso combater também os intermediários (a turma que vende), mas não adiantará enquanto não forem riscados do mapa os maiores distribuidores. Que todos parecem saber direitinho onde estão.
Ora, se o tráfico de drogas movimenta tanto dinheiro é evidente que os maiores comerciantes não precisariam continuar morando em favelas ou usando-as apenas como esconderijo para uma atividade que acaba “marcando” todos os pobres e trabalhadores e moradores de comunidades carentes. Todo mundo sabe também que quem vai atrás busca das drogas não é um pé rapado qualquer: Drogas custam caro e por isso mesmo é comum ver carros de luxo próximos às favelas. Não exatamente para fazer visitas sociais.
Se o presidente sabe, assim como quase todos nós, que é preciso fechar a porta para evitar que o bicho pegue, não tem justificativa deixar abertos os portões de luxo pelos quais as drogas entram e saem tranqüila e. Até porque a porta, assim como a corda, sempre arrebenta do lado mais fraco.
Quem traz a droga do exterior são os “empresários” que podem bancar as clandestinas viagens internacionais, inclusive com uma boa frota de aviões particulares. Parece que isso vai continuar. O próprio Lula reconhece que “impossível controlar os 8 mil quilômetros de costa marítima e as 17 mil fronteiras brasileiras e reconhece que “a gente não tem 100% de controle e que “enquanto você tiver ser humano que consome, um contrabandista vai passar por algum lugar".
Não adianta apenas saber e dizer que sabe. É preciso agir. Fechar também as portas de luxo sempre escancaradas para o tráfico, para o caminho da morte. O que não dá é para massacrar favelados em nome do combate ao tráfico de drogas.